CRIME CIBERNÉTICO VIL

Rede internacional de abuso contra Mulheres é desmantelada pela Polícia Federal

Imagem ilustrativa sobre a investigação de crimes de abuso sexual
Brasileiros são investigados por integrar rede internacional de vídeos de abusos contra mulheres da própria família — Foto: Fantástico

Suspeitos dopavam familiares para gravar e vender cenas de violência sexual. Investigação aponta braço do esquema criminoso atuando em cinco estados brasileiros.

Uma rede criminosa internacional que dopava mulheres da própria família para cometer abusos sexuais e comercializar vídeos dos crimes foi desarticulada. A Polícia Federal, em conjunto com agências estrangeiras, identificou brasileiros que integravam o esquema, agindo em absoluta violação da dignidade humana e dos laços de confiança familiar.

As vítimas eram submetidas ao uso de medicamentos de prescrição restrita, que as deixavam incapazes de oferecer resistência. Segundo Flávio Rolim, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal, o método consistia em anular a capacidade de reação da vítima, transformando-a em alvo de abusos registrados e negociados posteriormente via internet e aplicativos de mensagens. O modus operandi guarda semelhanças com o caso de Gisele Pelicot, na França.

A investigação teve início no ano passado, após alerta da Europol, agência da União Europeia para cooperação policial, que detectou atividades de abusadores em nove países, incluindo o Brasil. A Polícia Federal identificou que um dos envolvidos desenvolvia manuais sobre como administrar medicações para potencializar os efeitos inibitórios nas vítimas.

Até o momento, cinco homens foram identificados, com residência nos estados do Pará, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. Quatro suspeitos estão presos, enquanto um responde em liberdade. O líder do esquema foi detido em fevereiro, e o marido de uma das vítimas foi preso nesta semana após confessar o crime durante depoimento.

Davi Jacobs de Souza, chefe da Delegacia de Crimes Cibernéticos da PF/RS, classificou a natureza da prática como chocante, mesmo para agentes acostumados a lidar com graves crimes digitais. A investigação segue em curso para localizar outros abusadores brasileiros que compõem essa rede transnacional.

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