CYBERSEGURANÇA
Ministério Público da França acusa hacker adolescente por megavazamento
O Ministério Público de Paris solicitou, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a formalização da investigação e medidas cautelares sob controle judicial para um adolescente de 15 anos, suspeito de vazar dados de quase 12 milhões de cidadãos após um ataque à Agência Nacional para a Segurança dos Documentos (ANTS). O crime, ocorrido em 15 de abril, expôs informações sensíveis como nomes, e-mails e datas de nascimento, e pode render até sete anos de prisão e multa de € 300 mil (R$ 1,76 milhão). O site da ANTS permanece inacessível desde 24 de abril.
O Ministério Público de Paris solicitou, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a formalização da investigação e medidas cautelares sob controle judicial para um adolescente de 15 anos. Ele é apontado como o hacker “breach3d”, responsável pelo devastador ciberataque ocorrido em 15 de abril contra a Agência Nacional para a Segurança dos Documentos (ANTS) da França, que comprometeu os dados pessoais de quase 12 milhões de cidadãos e abalou a confiança na segurança digital do Estado.
A detenção do menor ocorreu em 25 de abril, sendo ele encaminhado a juízes de instrução na quarta-feira seguinte. A procuradora da República em Paris, Laure Beccuau, informou que o Ministério Público pediu a formalização da investigação e a aplicação de medidas cautelares, submetendo o adolescente a controle judicial por “ataques (acesso, permanência, extração, transmissão, posse e obstrução de funcionamento) a um sistema automatizado de tratamento de dados pessoais operado pelo Estado”. Para crimes dessa natureza, a legislação prevê penas de até sete anos de prisão e multa de € 300 mil (R$ 1,76 milhão).
Segundo as autoridades, “entre 12 e 18 milhões de registros de dados foram colocados à venda em fóruns de cibercriminosos por um hacker apelidado de ‘breach3d’”. A ANTS confirmou a autenticidade das informações comercializadas, que abrangem dados sensíveis como nomes, endereços de e-mail e datas de nascimento dos usuários. A exposição dessas informações pode gerar graves consequências para os cidadãos, desde golpes financeiros até roubo de identidade, comprometendo sua dignidade e segurança. O site da agência, suspenso em 24 de abril, permanece inacessível até hoje, mais de seis dias após o incidente, evidenciando a extensão do problema.
Atividade incomum
A ANTS identificou uma atividade incomum em sua rede em 13 de abril. A unidade de crimes cibernéticos da Promotoria de Paris, notificada em 16 de abril, agiu prontamente, abrindo uma investigação que culminou na identificação do suspeito.
Paralelamente à ação judicial, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, incumbiu a Inspeção-Geral da Administração de apurar responsabilidades internas pelo incidente, classificado como grave. O ministério enfatizou que “a segurança digital é uma questão coletiva de grande importância”, reforçando a gravidade do ataque.
O gabinete do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, também se manifestou, afirmando que “em um contexto de forte ameaça cibernética, o Estado é particularmente visado, muito além do Ministério do Interior”. Ele considerou o caso “uma ameaça mais profunda e menos visível, que atinge os próprios alicerces do Estado e busca enfraquecer sua atuação”. Lecornu havia estabelecido, em 9 de abril, um plano de ação exigindo que todos os ministérios implementassem medidas emergenciais de segurança digital nas semanas seguintes, destacando a preocupação governamental com a resiliência cibernética.
Hackers cada vez mais jovens
A idade do suspeito do ataque à ANTS reflete uma tendência preocupante de hackers cada vez mais jovens no radar do sistema de Justiça francês. Recentemente, um homem de 21 anos foi formalmente acusado e preso por uma série de ataques cibernéticos contra federações esportivas, o Ministério da Educação e registros privados de armas de fogo. Ele foi detido no momento em que se preparava para divulgar os dados obtidos. No fim de janeiro de 2026, outros dois jovens, de 17 e 20 anos, já haviam sido acusados por ataques distintos a sistemas de órgãos do governo francês que administram redes de ensino, ocorridos no segundo semestre de 2025. Esses casos ressaltam a urgência de fortalecer as defesas digitais e de educar sobre os riscos e as responsabilidades no ambiente online.
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