JUSTIÇA E PUNIÇÃO

Brasil solicita extradição de casal condenado por tortura em Ribeirão Preto

Imagem ilustrativa do processo de extradição envolvendo os condenados por tortura
Brasil inicia processo para extraditar advogada e psicólogo presos em Portugal

Após prisões em Portugal, Ministério Público busca o cumprimento de 17 anos e seis meses de reclusão por crimes hediondos cometidos em clínica.

O Brasil iniciou os trâmites diplomáticos e jurídicos para a extradição de Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior, após as prisões do casal em Portugal. A medida, que visa garantir a efetividade da sentença condenatória, ocorre em decorrência de crimes de tortura praticados em uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto (SP), cujos detalhes foram rememorados pelo Ministério Público após o desdobramento internacional do caso.

As prisões foram concretizadas em julho de 2026, viabilizadas pela inclusão dos nomes dos réus na Difusão Vermelha da Interpol em junho de 2026, logo após o trânsito em julgado da decisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com a confirmação da condenação definitiva, não cabe mais recurso sobre o mérito da causa, restando aos réus o cumprimento da pena de 17 anos e seis meses de reclusão em regime fechado.

O caso, que se arrastou por 12 anos, chocou a sociedade pela crueldade das práticas relatadas pelas vítimas. Segundo o promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, os internos eram submetidos a agressões físicas severas, incluindo o uso de pedaços de madeira e abusos sexuais com instrumentos. O cenário de terror era agravado pelo uso forçado de medicações, apelidadas internamente de 'danoninho', e castigos psicológicos que privavam os pacientes de dignidade básica, mantendo-os sob vigilância constante por câmeras.

As investigações, iniciadas em agosto de 2014 após mandados de busca e apreensão, revelaram que pelo menos 24 ex-internos foram vítimas diretas da gestão violenta de Marluci e Djalma. Enquanto o casal buscava uma nova vida no exterior — Marluci chegou a atuar como instrutora de zumba na região autônoma de Açores —, o terceiro condenado, Angelo Bellini Neto, foi detido em Cravinhos (SP) por sua participação direta na execução das agressões.

A colaboração entre o Ministério Público e a Polícia Federal foi determinante para localizar os foragidos. Para as autoridades, a prisão representa uma resposta rigorosa à gravidade dos fatos e um marco importante para as vítimas que, por mais de uma década, aguardaram pela punição dos responsáveis pelo trauma sofrido no período de internação.

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