ALERTA CONTRA DENGUE
Dengue recua 98% em Ribeirão, mas Franca mantém incidência cinco vezes maior
Queda expressiva de casos em Ribeirão Preto traz alívio, mas especialistas alertam para aumento na infestação do Aedes aegypti e desafios na imunização.
Ribeirão Preto registrou uma redução de 98% nos casos de dengue entre janeiro e julho de 2026, somando 363 confirmações frente às 21.400 contabilizadas no mesmo período do ano anterior. A queda, embora expressiva, contrasta com o cenário de Franca, que mantém uma incidência cinco vezes superior, com 253,6 casos a cada 100 mil habitantes, conforme dados oficiais de julho de 2026. Apesar da desaceleração da doença, o risco permanece presente devido ao aumento da infestação do Aedes aegypti. Em Ribeirão Preto, o Índice de Breteau, que monitora recipientes com larvas, saltou de 1,1 em julho de 2025 para 2,23 no mesmo mês de 2026. A elevação dos focos do mosquito coloca as autoridades de saúde em alerta constante. Especialistas apontam que a queda nos números se deve, em grande parte, à imunidade coletiva adquirida pela população após as epidemias de 2024 e 2025. Muitas pessoas desenvolveram proteção contra os sorotipos 1 e 2, predominantes nos últimos anos. Contudo, a diretora da Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto, Luzia Márcia Romanholi Passos, ressalta que o controle exige continuidade. "Nós não podemos baixar a guarda e deixar de eliminar criadouros, porque, em Ribeirão Preto, o risco é contínuo", destaca Luzia. O pediatra Homero Antônio Rosa Júnior reforça que a alta presença de larvas pode sinalizar um aumento de casos para o próximo ano, caso o combate ao vetor não seja intensificado. Sobre a estratégia de imunização, o pediatra argumenta que a vacinação atual pelo Sistema Único de Saúde (SUS), focada na faixa de 10 a 14 anos, apresenta limitações, uma vez que o público com maior incidência de óbitos e complicações clínicas, acima dos 30 anos, ainda não é alcançado. Para o médico, a vacinação em massa seria o único caminho para administrar o avanço do vírus a longo prazo. Enquanto as Prefeituras de Ribeirão Preto e Franca mantêm mutirões de limpeza e visitas domiciliares, especialistas alertam para o risco da circulação do sorotipo 3 no Brasil, que poderia contornar a imunidade atual da população. A recomendação principal segue sendo a eliminação rigorosa de criadouros, especialmente com a proximidade de períodos de chuva.
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