CORAÇÃO E RINS EM RISCO

Médicos alertam que prevenção de doenças cardíacas protege os rins, em entrevista a Kalil

Nefrologistas em entrevista.
Nefrologistas Lúcio Requião e Caio Bastos participaram da entrevista Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista.

Especialistas recomendam hábitos saudáveis para evitar problemas renais e cardíacos. Exames simples e acessíveis no SUS podem detectar a doença precocemente. A prevenção deve começar cedo.

A adoção de hábitos de vida saudáveis é crucial para a proteção dos rins, conforme apontam especialistas em nefrologia. Em entrevista ao Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista, realizada neste sábado, 13/06/2026, os nefrologistas Lúcio Requião, vice-diretor clínico do Hospital do Rim e professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, e Caio Bastos, especialista do Hospital do Rim, discutiram o panorama das doenças renais no Brasil.

Para Caio Bastos, o alicerce para a saúde renal reside na consolidação de um conjunto robusto de hábitos saudáveis. "Evitar ter um diabetes descompensado, uma pressão descontrolada, sem dúvida faz o rim ser mais saudável", afirmou. Ele também destacou a importância vital da hidratação, especialmente no contexto brasileiro. "No Brasil, que é um país tropical, em pacientes de risco, especialmente em locais com maior exposição a agrotóxicos e temperaturas elevadas, a hidratação é fundamental para o povo brasileiro", disse.

Prevenção cardiovascular e renal caminham juntas

Lúcio Requião reforçou que as orientações preventivas para doenças cardíacas são diretamente aplicáveis à saúde renal. "Todos os hábitos saudáveis que foram divulgados extensivamente para o controle da doença cardíaca, da doença coronariana, por exemplo, eles valem para a doença renal", garantiu. Entre as medidas fundamentais elencadas por ele estão o controle do sobrepeso e da obesidade, a redução do consumo de alimentos ultraprocessados, a diminuição da ingestão de sal e o manejo adequado do diabetes.

Diagnóstico precoce como janela de oportunidade

Apesar de ser uma condição silenciosa, a doença renal pode ser identificada de forma simples e acessível. Requião explicou que dois exames são suficientes para detectar a condição em seus estágios iniciais: a creatinina no sangue e o exame de urina. "O exame de creatinina está disponível em todas as 44 mil unidades básicas de saúde do país e custa R$0,07 no Sistema Único de Saúde. Basta fazer um exame de creatinina por ano para entender como está a saúde renal", detalhou. O exame de urina, que avalia a perda de proteína, também está amplamente disponível nas unidades básicas. Requião alertou que a identificação precoce é essencial para evitar a progressão para a falência renal, pois "a identificação precoce é a janela de oportunidade que temos para deter um processo que é progressivo".

Bastos complementou que, na maioria dos casos, os pacientes chegam ao atendimento médico em estágio avançado de falência, justamente pela ausência de sintomas evidentes da doença. Requião enfatizou ainda que os cuidados com a saúde renal não devem ser adiados para a vida adulta, pois o processo que leva à falência renal frequentemente se inicia uma ou duas décadas antes do diagnóstico. "Essa mensagem vale para qualquer idade", concluiu.

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