DEMOCRACIA EM RISCO

Lula alerta: falha democrática impulsiona antissistema

O presidente Lula durante lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado
O presidente Lula durante lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado

Presidente brasileiro enfatiza, em entrevista ao The Washington Post, que líderes precisam entregar resultados concretos para conter a frustração social.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertou para o risco global de movimentos antissistema se fortalecerem devido à falha das democracias em atender às necessidades básicas da população. Em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, publicada neste domingo, 17 de maio de 2026, Lula enfatizou que a capacidade dos líderes democráticos de entregar resultados concretos é crucial para a estabilidade social e a dignidade dos cidadãos, que buscam respostas às suas demandas por meio de críticas às instituições tradicionais.

O chefe do Executivo brasileiro explicou que, ao redor do mundo, o apoio a grupos que questionam as instituições democráticas tradicionais cresce justamente onde o sistema falha em prover o essencial. Essa lacuna gera frustração e impulsiona a busca por alternativas, mesmo que radicais, afetando diretamente a qualidade de vida e a percepção de justiça pela sociedade.

O presidente Lula durante lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado

Sobre a relação com os Estados Unidos, Lula afirmou que não lhe cabe pedir ao presidente Donald Trump (Partido Republicano) que mude sua visão sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Lula, a preferência política de Trump é uma questão pessoal e não exige que ele demonstre superioridade em relação a Bolsonaro, pois Trump, segundo o petista, já tem plena consciência da situação.

Lula ressaltou a importância de manter um diálogo cordial com a Casa Branca, mesmo diante de eventuais divergências políticas entre as administrações. Ele defendeu que a convivência institucional é primordial para o Brasil.

Após um encontro com Trump no início de maio, Lula havia declarado que respeita o presidente norte-americano por ter sido eleito democraticamente. Trump, por sua vez, definiu o petista como um “bom homem”. O primeiro breve encontro entre os dois líderes ocorreu na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em setembro de 2025, poucos dias depois da condenação de Bolsonaro.

O presidente brasileiro é um defensor do diálogo entre adversários políticos. Na entrevista, Lula reiterou suas divergências com Trump em pautas internacionais, citando a oposição à guerra no Irã, a rejeição a intervenções na Venezuela e a condenação aos ataques na Palestina.

Lula concluiu que essas discordâncias ideológicas não devem atrapalhar a convivência institucional entre os chefes de Estado. Ele finalizou a entrevista expressando a expectativa de um tratamento respeitoso de Washington em relação ao Brasil.

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