CONDUTA SOB INVESTIGAÇÃO

Lula defende investigação sobre Lulinha e nega interferência na PF

Foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à Record no domingo (23/08).

Presidente afirma que seu filho deve prestar esclarecimentos à Justiça e ressalta que não atuará para impedir apurações sobre suspeitas de tráfico de influência.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou neste domingo (23/08) que seu filho, Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deve apresentar explicações sobre os fatos que motivaram uma investigação da Polícia Federal. Em entrevista concedida à Record, o mandatário garantiu que não haverá interferência da Presidência da República no curso das apurações.

"Meu filho sabe que, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele", declarou Lula. O presidente enfatizou que ninguém está acima da lei e que, caso o cometimento de equívocos tenha gerado prejuízos aos cofres públicos, os responsáveis deverão arcar com as consequências.

A investigação conduzida pela PF apura a relação da lobista Roberta Luchsinger com o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e com Lulinha. O objetivo é esclarecer possíveis contratações e trânsito de influência junto ao governo federal. Lula classificou as suspeitas como "ilações" decorrentes de vazamentos, mas reiterou sua postura de não obstruir o trabalho das autoridades.

"Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se", afirmou o petista.

O caso envolve a análise de transferências financeiras de Luchsinger a Marcola, cujos valores superariam a marca de 100 mil euros, segundo a PF. Marcola, que foi homem de confiança de Lula no Gabinete até 31 de julho de 2016, sustenta que os repasses se trataram de um "empréstimo pessoal" e nega qualquer ilegalidade. A defesa de Luchsinger, representada pelo advogado Roberto Podval, informou que prestará os esclarecimentos necessários nos autos do inquérito.

Lulinha, que reside na Espanha, é alvo de três inquéritos, incluindo apurações sobre tráfico de influência e suspeitas de recebimento de valores irregulares relacionados a fraudes na Previdência Social. Mensagens apreendidas na operação Sem Desconto sugerem que o filho do presidente discutia com a lobista operações comerciais e formas de manter ativos fora do alcance da Receita Federal.

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