SAÚDE MENTAL PATERNA
Licença-paternidade impacta positivamente a saúde mental de pais, aponta estudo
Estudos apontam que licença remunerada reduz risco de depressão e ansiedade em pais. Pressões financeiras e a falta de tempo são os principais impedimentos para o afastamento familiar.
Novas pesquisas revelam que a licença-paternidade remunerada desempenha um papel crucial na saúde mental dos homens. Pais que tiram o tempo necessário para cuidar de seus filhos após o nascimento apresentam menor risco de desenvolver ansiedade e depressão, conforme apontam estudos divulgados na revista científica American Journal of Public Health. A decisão de estender esses benefícios, embora ainda não definitiva em todos os âmbitos, é vista como uma medida de saúde pública com impacto profundo nas famílias.
A chegada de um filho é um período de intensa vulnerabilidade emocional para as mães, e o impacto psicológico da paternidade nos homens tem sido cada vez mais investigado. Uma análise de dados da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio, com 4.290 pais de primeira viagem, indicou que 6,6% apresentavam depressão e 11% ansiedade. Desses, 75% com sintomas de saúde mental deteriorada apontaram motivos financeiros como impeditivos para solicitar licença parental.
Os dados coletados em 2022-2023 revelaram que pais que não tiraram licença ou optaram por afastamentos não remunerados tiveram um risco significativamente maior de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão. A licença não remunerada, por exemplo, esteve associada a um aumento de 58% na probabilidade de sintomas de ansiedade em comparação com a licença remunerada. A falta de afastamento parental foi ainda mais correlacionada com o aumento dos riscos para a saúde mental.
Craig Garfield, pediatra do Hospital Ann & Robert H. Lurie Children's e autor principal de um dos estudos, ressalta que a licença remunerada oferece tempo e recursos essenciais para a transição à paternidade. Um estudo anterior do mesmo autor, publicado em 2025, mostrou que apenas 36% dos homens tiram mais de duas semanas de licença após o nascimento de um filho.
Um segundo estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, sugere que uma licença-paternidade equilibrada, com duração entre 14 e 40 semanas, favorece o bem-estar psicológico dos pais. Pais que tiraram entre 14 e 40 semanas de licença apresentaram probabilidade significativamente menor de desenvolver sintomas de depressão em comparação com aqueles que tiraram até quatro semanas. No entanto, licenças muito curtas (até 4 semanas) ou excessivamente longas (mais de 40 semanas) não apresentaram o mesmo benefício protetor.
Michael Wells, professor do Instituto Karolinska, concluiu que licenças parentais superiores a 90 dias, mas que não ultrapassem 60% do tempo total disponível, podem ser ideais para a saúde mental masculina. Os achados sublinham a importância de políticas públicas e de empregadores em ampliar programas de licença parental remunerada e reduzir barreiras econômicas, promovendo um impacto mensurável na saúde da população.
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