REALIDADE DA ADOÇÃO
Mãe de seis filhos por adoção rompe mitos sobre a formação de vínculos
Fernanda Fabris narra a jornada de integrar quatro irmãos e dois jovens ao seu lar, enfrentando traumas e a adaptação familiar além da idealização.
A experiência de Fernanda Fabris, mãe de seis filhos por adoção, desafia a narrativa comum de que o amor por si só garante uma adaptação imediata. Após 11 anos enfrentando tratamentos de fertilidade, ela decidiu buscar a maternidade fora do modelo biológico e descobriu que o caminho para o vínculo familiar exige resiliência, tempo e o acolhimento de traumas profundos.
A decisão de Fernanda e do marido, Maurício, de adotar quatro irmãos de uma só vez, foi tomada após o contato com o programa Adote um Boa Noite, do Tribunal de Justiça de São Paulo. A escolha contrariou as expectativas iniciais do casal e da equipe técnica, visto que adotar grupos de irmãos com idades distintas é um desafio pouco comum e exige uma reestruturação familiar intensa.
O impacto dessa decisão na vida da família revelou que a resistência inicial das crianças, muitas vezes interpretada como rebeldia, é na verdade um mecanismo de defesa contra o trauma complexo de relacionamentos anteriores. A psicóloga Renata Travain explica que o "luto por não gerar" e o choque entre a fantasia dos pais e a realidade das crianças são partes inerentes ao processo.
Após consolidar a primeira adoção, o casal expandiu a família ao adotar Nati, que estava próxima do desligamento compulsório aos 18 anos. Através da adoção por vínculo, o casal conseguiu evitar que a jovem deixasse o sistema de acolhimento sem uma estrutura familiar consolidada, reafirmando que o amor, embora essencial, precisa de suporte técnico e paciência para se concretizar como uma relação duradoura.
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