ESPORTE E CIDADANIA

Justiça do Distrito Federal obriga CBDI a inscrever Priscila Pontual Lobato da Cruz em mundial de natação

Priscila Pontual Lobato da Cruz, atleta da Síndrome de Down, em treinamento.
A paratleta Priscila Pontual Lobato da Cruz, prodígio do esporte brasiliense, busca vaga no mundial de Portugal.

Decisão judicial determina que a Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais garanta a vaga da atleta brasiliense no torneio em Portugal.

A Justiça do Distrito Federal determinou que a Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais (CBDI) realize a inscrição da paratleta Priscila Pontual Lobato da Cruz, de 15 anos, no Mundial de Natação para Pessoas com Síndrome de Down. A decisão, proferida no dia 13/07/2026, visa garantir o direito da jovem brasiliense de representar o Brasil na competição, que ocorrerá em Albufeira, Portugal, entre 30 de outubro e 7 de novembro de 2026.

A medida foi motivada pela negativa da entidade em incluir o evento em seu calendário oficial sob a justificativa de falta de verbas. Embora a família de Priscila tenha se prontificado a custear integralmente a viagem, a inscrição exige obrigatoriamente o intermédio da CBDI, o que impedia a participação da atleta. A decisão da juíza substituta Ana Beatriz Brusco, emitida em 10/07/2026, impõe um prazo de 24 horas para o cumprimento, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.

Para Priscila, atleta do Projeto Naurú que treina no Centro Olímpico da Universidade de Brasília (UnB), a participação no Mundial possui peso equivalente ao das Paralimpíadas, uma vez que a categoria Síndrome de Down não possui classe exclusiva no evento paralímpico tradicional. A exclusão representaria não apenas a perda de uma oportunidade esportiva, mas um obstáculo ao desenvolvimento pleno da cidadania e do potencial da jovem, que é atual campeã brasileira em diversas modalidades, incluindo os 50 metros borboleta.

O pai e representante legal, Rodrigo Pontual da Cruz, destacou que a postura da confederação limitou-se a breves respostas por WhatsApp. Ele ressaltou que deixar de apoiar uma atleta com chances reais de medalhas e pódio, especialmente quando a família assume os custos logísticos, fere a própria missão institucional da CBDI de promover o esporte para pessoas com deficiência intelectual.

Em resposta ao Metrópoles, a CBDI informou que a seleção de atletas ainda não está definida e que um projeto de financiamento aguarda análise do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A entidade reforçou que busca cumprir sua missão com os atletas, se Deus quiser.

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