JUSTIÇA E IMPUNIDADE
Assassinato da família Aguiar completa seis meses sem respostas
O caso, que chocou o RS pelo uso de IA, aguarda audiências enquanto defesas dos réus solicitam acesso a novos laudos periciais.
O desaparecimento e assassinato de Silvana de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, completa seis meses nesta sexta-feira (24/07/2026). O caso, que teve início nos dias 24 e 25 de janeiro, permanece sem a localização dos corpos, deixando um vácuo de respostas para os familiares e uma sociedade ainda abalada pela complexidade da trama criminosa, que envolveu o uso de áudio manipulado por IA para atrair as vítimas.
O principal acusado é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana. Ele segue preso e responde por dois feminicídios, um homicídio qualificado, além de ocultação de cadáver, fraude processual e outros crimes. A investigação da Polícia Civil aponta que o crime foi planejado em razão de disputas patrimoniais e pela guarda de uma criança.
A Justiça de Cachoeirinha e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) conduzem o processo, que atualmente está na fase de apresentação de respostas à acusação pelas defesas. Enquanto o Ministério Público denunciou seis pessoas, apenas Cristiano permanece sob custódia. Milena Ruppental Domingues, esposa do policial, e Wagner Domingues Francisco, irmão dele, respondem ao processo em liberdade, após decisões judiciais que negaram pedidos de prisão feitos pela Polícia Civil.
A dor da ausência é agravada pela interrupção das buscas. Segundo o delegado Cristiano Álvarez, da Polícia Civil, não existem novos locais para vistoria. "Tudo que foi possível, foi checado", afirmou o delegado. Embora o inquérito tenha superado a marca de 20 mil páginas, a expectativa dos familiares de encontrar um ponto final para o luto permanece estagnada diante do rito processual.
As defesas, por sua vez, sustentam que ainda precisam de acesso a laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) para estruturar as estratégias defensivas. Enquanto não se marca a primeira audiência, o caso reflete o impacto devastador de uma violência planejada, que destruiu os laços de uma família e deixou um rastro de impunidade questionado por todos os envolvidos na espera por justiça.
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