ARTICULAÇÃO E INVESTIGAÇÃO

Investigação da PF revela elos entre Jaques Wagner e Banco Master

Foto do senador Jaques Wagner em ambiente legislativo.
Senador Jaques Wagner é investigado por supostos vínculos com o Banco Master.

Relatórios da Polícia Federal enviados ao STF apontam troca de favores e monitoramento de atividades do senador Jaques Wagner.

A Polícia Federal detalhou, em relatórios enviados ao STF (Supremo Tribunal Federal), uma densa rede de interlocução política e proximidade pessoal entre o senador e ex-líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), e executivos do Banco Master. A investigação, que veio a público na quinta-feira (30), aponta que o parlamentar teria utilizado sua influência para favorecer interesses da instituição financeira, recebendo em troca supostas vantagens econômicas que incluem desde presentes de luxo até a estruturação de compras imobiliárias. O material aponta uma relação de longa data entre o senador e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco. Segundo os investigadores, esse vínculo teria servido como canal para o acesso direto de Jaques Wagner a Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. A suspeita é de que o alinhamento superasse a esfera legislativa, adentrando o campo das articulações políticas institucionais para beneficiar o banco em pautas regulatórias. Entre os episódios destacados pela corporação, constam o recebimento de presentes de alto valor — incluindo ingressos para shows e vinhos caros —, o uso de aeronaves privadas e as tratativas para a aquisição de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador. Documentos indicam que, enquanto tratava de temas como a chamada “Emenda Master” — que visava a ampliação do limite de cobertura do FGC —, o senador trocava mensagens frequentes com executivos, demonstrando uma sintonia que ia de avisos sobre o mercado a gestos de afeição pessoal entre as famílias. As medidas investigativas, autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso, incluíram o monitoramento de registros telefônicos e a quebra de sigilo de comunicações. A PF destaca que, antes da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho, o senador chegou a articular encontros discretos no gabinete para evitar identificação formal. O caso segue sob análise do STF, e as provas documentais continuam sendo processadas pela Justiça.

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