ESTRATÉGIA POLÍTICA
Bolsonaro tenta se afastar de decisão sobre IA enquanto expõe Flávio
Ex-presidente nega autoria de vídeo gerado por inteligência artificial em convenção do PL. Manobra transfere responsabilidade jurídica ao filho e à cúpula do partido.
A tática de Jair Bolsonaro para escapar da alça de mira do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo desdobramento de conveniência política. Em petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, o ex-presidente declarou que não teve conhecimento nem autorizou a utilização de um vídeo com sua imagem e voz, gerado por inteligência artificial (IA), durante a convenção do PL.
Ao distanciar-se do material, Jair Bolsonaro busca evitar sanções por um suposto descumprimento das condições de sua prisão domiciliar. No entanto, a defesa jurídica optou por uma estratégia que transfere a responsabilidade pelo uso do conteúdo diretamente ao seu filho, o pré-candidato Flávio Bolsonaro, e ao presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
O movimento estratégico, conforme apontado pelo jornalista João Bosco Rabello, segue um padrão recorrente de esticar os limites das regras eleitorais para, posteriormente, alegar perseguição jurídica. Ao oficializar essa posição perante a Justiça, contudo, o ex-presidente coloca Flávio em uma situação de vulnerabilidade jurídica frente à Justiça Eleitoral.
As normas do TSE são rigorosas quanto ao uso de conteúdos sintéticos em campanhas. A regulamentação não abre exceções para simulações, mesmo quando acompanhadas de avisos visuais. Com a manobra, o que visava proteger a liberdade individual de Jair Bolsonaro acaba por fragilizar a campanha de Flávio, que agora enfrenta o risco de punições severas antes mesmo do pleito.
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