SAÚDE DA MULHER

Governo lança chamada para projetos sobre endometriose e saúde menstrual com R$ 60 milhões

Imagem mostra uma reunião com diversas pessoas sentadas ao redor de uma mesa.
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anuncia chamada pública para projetos de pesquisa sobre endometriose e saúde menstrual.

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) destinará R$ 60 milhões para pesquisas que visam fortalecer o SUS e combater o estigma das doenças menstruais.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Instituto Alana e o CNPq, anunciou nesta terça-feira, 09/06/2026, uma chamada pública para projetos de pesquisa sobre endometriose e saúde menstrual. A iniciativa destina um investimento de R$ 60 milhões, o maior já realizado no Brasil para o estudo dessas condições, com o objetivo de criar uma rede nacional de pesquisa e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão visa não apenas aprofundar o conhecimento científico, mas também melhorar o diagnóstico, o tratamento e a qualidade de vida de milhões de brasileiras afetadas por essas doenças. A ministra Luciana Santos, do MCTI, destacou que o projeto busca aproximar a ciência do cotidiano da população, promovendo o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico, estratégias de prevenção e aprimoramento de tratamentos. “Vamos fortalecer grupos de pesquisa, desenvolver novos métodos de diagnóstico e estratégias de prevenção, aprimorar tratamentos, estruturar biorepositórios, compreender os impactos sociais e econômicos dessas doenças para remover estigmas, promover equidade e gerar subsídios para gerar políticas públicas. Somando forças, vamos longe”, declarou a ministra. A iniciativa é vista como um passo histórico para desmistificar e combater doenças que afetam a dignidade e a rotina de muitas mulheres. A endometriose, caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, afeta cerca de 8 milhões de mulheres no Brasil, incluindo adolescentes, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Apesar da alta incidência, o tema ainda é pouco abordado, com diagnósticos que podem levar até 10 anos para serem confirmados. A falta de pesquisa e conscientização contribui para o estigma e a invisibilidade das dores e limitações impostas pela doença. Ana Lucia Vilela, presidente do Instituto Alana, ressaltou a importância da iniciativa: “Talvez, por não ser uma dor masculina, a endometriose passou tantos anos sem ser estudada. O que não é pesquisado, não é compreendido. O que não é compreendido, não é tratado. Essa equação precisa mudar. Hoje, o Brasil dá um passo histórico e inédito”. Ela lembrou que 65% das meninas brasileiras convivem com dor menstrual que interfere na rotina e que 75% das que sofrem com dores fortes recebem o diagnóstico de endometriose apenas 10 anos depois. A primeira-dama Janja Lula da Silva, presente no evento, compartilhou que nem mesmo o presidente Lula sabia o que era endometriose, evidenciando a invisibilidade do tema na sociedade. “Quando o assunto é a saúde das mulheres, normalmente ele é invisibilizado. Os homens nem conhecem”, comentou. O Ministério da Saúde já havia implementado em 2025 o primeiro protocolo para tratar endometriose superficial e profunda com financiamento específico, reforçando o compromisso com a saúde menstrual e a dignidade das mulheres.

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