SAÚDE PÚBLICA | OBESIDADE

Por que o SUS ainda não disponibiliza canetas emagrecedoras para pacientes

Canetas aplicadoras de medicamentos contra obesidade sobre uma mesa.
Medicamentos como a semaglutida são estudados para possível inclusão no SUS. Foto: Freepik.

Ministério da Saúde avalia a incorporação de novos fármacos após a expiração de patentes, visando reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento.

O Sistema Único de Saúde (SUS) não adota, até o momento, nenhum tipo de caneta emagrecedora no tratamento da obesidade, deixando uma lacuna na assistência para milhões de brasileiros que dependem da rede pública. A ausência desses fármacos reflete um desafio contínuo entre a necessidade de inovação terapêutica e a sustentabilidade financeira do sistema.

Em uma movimentação que sinaliza mudanças, o Ministério da Saúde tem avaliado a incorporação dessas tecnologias à rede pública. O tema tornou-se prioritário nos últimos meses devido ao avanço da concorrência no mercado farmacêutico, que promete reduzir o custo elevado, historicamente o maior obstáculo para a adoção das terapias pelo governo federal.

Atualmente, o SUS oferece alternativas limitadas para o manejo da obesidade. Na ausência de medicamentos específicos, a principal via terapêutica disponível é a cirurgia bariátrica, procedimento que exige longas esperas em filas de atendimento. Especialistas alertam que a introdução de medicamentos como a semaglutida pode reduzir eventos graves, como infartos e AVCs, além de diminuir a pressão sobre o sistema ao prevenir complicações decorrentes da doença.

O cenário começou a se transformar em março deste ano, quando a patente da semaglutida expirou, permitindo o surgimento de genéricos e similares. Consequentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou a análise de novos registros. Nesta quarta-feira (29/07), a Anvisa aprovou a entrada de cinco novos medicamentos à base de semaglutida — Zempneo, Semavy, Orsema, Seemasun e Owozy — que se somam à Ozivy, liberada anteriormente em junho.

Apesar do otimismo de endocrinologistas, que enxergam na queda dos preços uma janela de oportunidade, o processo de incorporação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) segue rigoroso. Uma nova proposta, focada inicialmente em pacientes de alto risco, encontra-se em fase de análise, com prazo de até 180 dias para uma definição.

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