REFORMA FISCAL URGENTE

Governo Federal impõe custo de adaptação às empresas

Reforma Tributária: Ilustração sobre o impacto da nova legislação fiscal
Imagem ilustrativa da reforma tributária. (Crédito: Poder360)

Regulamentação da CBS e do IBS transfere debate para a operação. Empresas devem se adaptar já em 2026, com alto custo de TRANSIÇÃO.

A reforma tributária sobre o consumo entra agora em sua fase mais concreta, exigindo das empresas uma adaptação complexa e gerando impacto direto em custos e operações. O Governo Federal publicou, na 5ª feira (30.abr.2026), as normas que detalham o funcionamento da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), deslocando o debate do campo legal para a execução prática. Este passo crucial não apenas redesenha o cenário fiscal do país, mas impõe uma reestruturação profunda nas companhias já em 2026, com reflexos potenciais na dignidade financeira dos cidadãos através da formação de preços e da estabilidade do mercado, mesmo antes da cobrança plena dos novos tributos.

Especialistas ouvidos nesta segunda-feira, 04/05/2026, após a divulgação das medidas, concordam que o movimento inaugura uma fase em que o sucesso da reforma dependerá menos do desenho legal e mais da capacidade de implementação. Para os analistas, o ano de 2026 será um período de teste OPERACIONAL, com exigências técnicas relevantes para as empresas, mesmo sem a cobrança integral dos tributos.

Para Haroldo Bertoni, advogado tributarista e sócio do Toledo Marchetti Advogados, a regulamentação representa a entrada da reforma "no campo da execução", com efeitos concretos sobre a economia real. Ele enfatiza que a prometida neutralidade do modelo fiscal depende diretamente da forma como o sistema será operacionalizado, especialmente em aspectos críticos como documentos fiscais, crédito tributário e sistemas de tecnologia.

Leonardo Roesler, também advogado tributarista e sócio do RCA Advogados, segue a mesma linha de raciocínio. Ele afirma que a regulamentação da CBS "dá concretude" à reforma, afetando diretamente a gestão das empresas. Segundo Roesler, a norma transcende o campo puramente fiscal, impactando áreas como preços, contratos, controles internos e a própria governança corporativa das organizações.

CUSTO DE TRANSIÇÃO

Apesar das abordagens distintas, os Especialistas convergem em três pontos cruciais: a reforma tributária avança para sua fase prática, a adaptação exigirá complexidade e o CUSTO DE TRANSIÇÃO será elevado. Este último, embora não se manifeste imediatamente no pagamento de tributos, representa um pesado ônus para as empresas.

O ano de 2026, conforme pontuam os advogados, funcionará como um verdadeiro laboratório para as empresas. Elas precisarão emitir documentos fiscais com destaque para a CBS e o IBS, além de cumprir diversas obrigações acessórias. Tudo isso ocorre mesmo com a dispensa de recolhimento para quem aderir às novas regras. A lógica por trás dessa estratégia, explicam, é permitir que o mercado realize os ajustes necessários antes da implementação da cobrança plena.

Esta estratégia, embora reduza o impacto financeiro imediato, apenas desloca o custo para a estrutura interna das companhias. Bertoni detalha que os gastos migram para projetos de adaptação, envolvendo revisão de processos, saneamento de cadastros e investimentos robustos em tecnologia da informação. Roesler complementa, reforçando que a adequação perpassa também contratos, relacionamento com fornecedores e a formulação de políticas comerciais.

A qualidade dos dados emerge como outro ponto crítico de convergência entre os Especialistas. Eles alertam que erros em notas fiscais, cadastros ou sistemas podem comprometer diretamente o aproveitamento de créditos e, por conseguinte, o fluxo de caixa das empresas. A consequência imediata pode ser um aumento indireto de custos e uma notável perda de competitividade no mercado, impactando a saúde econômica e a capacidade de geração de empregos.

A reforma altera, ainda, o papel da área tributária dentro das companhias. Para Bertoni, o tema transcende o setor fiscal, englobando tecnologia, processos e governança de dados. Roesler reforça que setores como compras, financeiro e controladoria também adquirem papel relevante na conformidade tributária, exigindo uma integração de esforços sem precedentes.

COMPLEXIDADE OPERACIONAL

A preocupação com a implementação da reforma tributária permanece em pauta. Os Especialistas apontam que o histórico brasileiro sinaliza um risco significativo de complexidade OPERACIONAL, mesmo em iniciativas que prometem simplificação. O sucesso do novo modelo dependerá diretamente da coordenação eficaz entre os entes federativos e da uniformidade na aplicação das regras em todo o território nacional.

Apesar das dificuldades, a avaliação é que a reforma tem o potencial de aprimorar o ambiente de negócios, ao reduzir a cumulatividade e as distorções atuais. Contudo, essa melhoria não será automática. Para os dois Advogados, o ganho real dependerá crucialmente da capacidade de execução por parte do Governo Federal e da preparação diligente das empresas.

Nesse cenário, a regulamentação é encarada tanto como um marco institucional quanto como um grande teste. A reforma, conforme destacam os Especialistas, passará a ser medida pela sua eficiência na prática diária, e não mais apenas pelas promessas inscritas no texto legal. É a hora da verdade para o novo sistema tributário brasileiro.

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