ENERGIA E DESENVOLVIMENTO

Setor eólico busca estender isenção de ICMS até 2032 no Rio Grande do Norte

Parque de energia eólica localizado na região de São Miguel do Gostoso, Rio Grande do Norte.
Torres eólicas alinhadas em campo aberto sob céu claro, na região de São Miguel do Gostoso.

Representantes da indústria articulam junto ao Governo do Estado a prorrogação de incentivos fiscais para garantir estabilidade durante a Reforma Tributária.

A cadeia produtiva da energia eólica solicitou ao Governo do Estado a extensão, até 2032, da vigência do Convênio ICMS 101/97, medida que visa assegurar a continuidade dos investimentos no setor durante o período de transição da Reforma Tributária. A demanda foi apresentada em reunião com o secretário estadual da Fazenda, Álvaro Luiz Bezerra, por representantes do Cerne, da Abeeólica, da Vestas e da Abimaq, contando com a participação do ex-senador Jean Paul Prates, conforme reportou O Correio de Hoje.

O pleito busca preencher um vácuo regulatório entre 2029 e 2032. Atualmente, o Convênio ICMS 101/97, que isenta equipamentos de geração eólica e solar, possui validade assegurada até 31 de dezembro de 2028 pelo Convênio ICMS 156/2017. Contudo, a Emenda Constitucional nº 132/2023 estabelece que, a partir de 2029, o país iniciará a substituição gradual do ICMS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com a extinção total do tributo estadual prevista para 2033.

Sem essa prorrogação, existe o risco real de que equipamentos e componentes voltem a ser tributados justamente no intervalo de maior incerteza econômica. Segundo projeções do setor, projetos no Rio Grande do Norte que dependem dessa definição somam cerca de R$ 10,5 bilhões. Para o diretor de Relações Institucionais do Cerne, Thiago Medeiros, a medida é fundamental para reduzir riscos operacionais: “A extensão permitiria atravessar o período da Reforma Tributária com regras mais claras e proteger empregos e novos aportes”, afirmou.

O Rio Grande do Norte, que detém aproximadamente 11,3 GW dos 34,9 GW da capacidade eólica instalada no Brasil, possui força estratégica para influenciar as negociações. Como a decisão sobre o benefício depende do Confaz — conselho que reúne os secretários de Fazenda de todos os estados e do Distrito Federal —, o governo local precisará atuar como articulador nacional.

O tema ganha contornos eleitorais à medida que o ambiente de negócios entra em debate. Recentemente, o candidato ao Governo Allyson Bezerra defendeu ajustes no Idema para desburocratizar o licenciamento ambiental e fortalecer a arrecadação. Enquanto o Governo do Estado não define prazos para levar a pauta ao Confaz, o setor alerta que a clareza tributária precisa ser consolidada antes de 2028, sob pena de ver o custo da instabilidade refletido nos próximos contratos.

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