ATAQUE E DEFESA
Flávio Bolsonaro se oferece para reverter tarifaço imposto pelos EUA, após ter incentivado a medida
Em um movimento que simula um incêndio proposital para depois combatê-lo, Flávio Bolsonaro agora se declara contra a nova taxação de produtos brasileiros nos Estados Unidos, apesar de ter atuado anteriormente para intensificar as tensões comerciais.
Em um cenário de tensões comerciais crescentes, Flávio Bolsonaro anunciou que se dirigirá à Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos para defender empresas brasileiras contra um novo tarifaço. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 24/06/2026, surge em meio a críticas de que o próprio Flávio teria contribuído para a escalada das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
A recente movimentação de Flávio Bolsonaro para mitigar o impacto das tarifas americanas contrasta com ações anteriores. Relatos indicam que ele e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, buscaram estreitar laços com autoridades americanas, inclusive com o próprio Donald Trump, após a visita do presidente Lula à Casa Branca em 7 de maio último. Na ocasião, os irmãos Bolsonaro teriam criticado o presidente Lula e solicitado novas intervenções dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil, incluindo a possível classificação de organizações criminosas como terroristas.
O governo Trump, desde agosto do ano passado, já havia aplicado uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados. Essas questões foram objeto de conversas telefônicas entre Trump e Lula em setembro e dezembro de 2025. Em 7 de maio de 2026, Trump recebeu Lula na Casa Branca, descrevendo o encontro como 'muito bom' e Lula como um 'presidente dinâmico'.
Apesar de Flávio e Eduardo Bolsonaro negarem envolvimento no novo tarifaço anunciado em 2 de junho, a declaração de Flávio de que agora lutará contra a taxação levanta questionamentos. Ele afirmou que seu objetivo é evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais prejudicadas, acusando o governo Lula de inação, mesmo que isso custe a falência de companhias nacionais.
A estratégia de Flávio Bolsonaro, de apagar um incêndio que ele mesmo teria ajudado a estimular, é vista por observadores como uma tentativa de se desvincular da imagem de 'traidor da Pátria', especialmente às vésperas de um período eleitoral.
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