ESPERANÇA PARA A ESPÉCIE

Filhotes de arara-azul-de-lear nascem no Zoológico de São Paulo, renovando esperança para espécie ameaçada

Dois filhotes de arara-azul-de-lear recém-nascidos, de plumagem escura e pele rosada, em um ninho.
Filhotes de arara-azul-de-lear, espécie brasileira ameaçada de extinção, nascem no Zoológico de São Paulo.

Nascimentos inéditos são fruto de estratégia internacional de conservação genética, buscando evitar o desaparecimento da ave estritamente brasileira. Dois novos exemplares, filhos do casal Maria Clara e Francisco, já impulsionam a variabilidade genética.

O Zoológico de São Paulo celebrou, nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, o nascimento de dois filhotes de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). A decisão de divulgar os nascimentos, que ocorreram em abril, traz um fôlego renovado para a continuidade da existência desta espécie, estritamente brasileira e classificada como ameaçada de extinção. A novidade é um marco para a conservação, pois fortalece a população sob cuidados humanos e amplia a variabilidade genética.

Esta instituição é pioneira na América Latina em reproduzir a espécie com sucesso, registrando 23 nascimentos desde 2015. Os filhotes mais recentes, assim como os anteriores, são descendentes do casal Maria Clara e Francisco. Parte dos animais que nasceram no zoológico já foi reintegrada à natureza, na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, um de seus habitats naturais.

“A reprodução da arara-azul-de-lear exige condições bastante específicas. Cada filhote amplia a variabilidade genética da população sob cuidados humanos e fortalece as possibilidades de conservação futura”, explicou a bióloga Fernanda Guida, responsável pelo setor de aves do Zoológico de São Paulo, em comunicado oficial. Ainda não se sabe o sexo dos recém-nascidos; um exame genético será realizado após o desenvolvimento das penas.

A chegada das novas aves integra uma estratégia internacional de conservação genética, que visa reverter o risco de desaparecimento da espécie. O Zoológico de São Paulo contribui com dados genéticos para um banco centralizado, que reúne informações sobre origem, parentesco, reprodução e variabilidade de indivíduos de diversas instituições de conservação ao redor do mundo. Essa colaboração permite aos pesquisadores avaliar e definir estratégias cruciais para a manutenção da espécie, como a diversificação genética e a prevenção do cruzamento entre parentes.

Como parte dessa iniciativa global, o zoológico brasileiro enviará dois machos para o Loro Parque, na Espanha, com o objetivo de formar novos casais reprodutores. Apesar desses esforços, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) ainda classifica a situação da espécie como “em perigo”, enquanto o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) a considera “vulnerável”. A expectativa é que as ações conjuntas resultem na recuperação e aumento das populações naturais nos próximos anos.

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