BIODIVERSIDADE EM ALERTA

Número de espécies ameaçadas de extinção chega a quase 800 no Brasil

Tartaruga marinha sob cuidados do Projeto Tamar
Número de animais ameaçados de extinção no Brasil cresce e chega a quase 800 — Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Levantamento do ICMBio aponta que 184 animais foram incluídos na lista de risco desde 2022. Diagnóstico orienta políticas de conservação e preservação.

A fauna brasileira enfrenta um desafio crescente com quase 800 espécies classificadas em diferentes níveis de ameaça de extinção. O levantamento, realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foi consolidado após uma análise rigorosa que avaliou o risco de sobrevivência de diversas espécies em todo o território nacional.

Os dados revelam uma situação delicada: desde 2022, o país viu 184 espécies ingressarem na lista de risco, embora 158 tenham apresentado melhora e deixado a relação. Atualmente, a classificação divide os animais em categorias como Vulneráveis, Em perigo, Criticamente em perigo, Possivelmente extintas e Extintas na natureza.

O papel da ciência e da sensibilização

Para especialistas, o monitoramento não serve apenas como registro estatístico, mas como uma bússola para ações emergenciais. Segundo Arthur Brant, coordenador de Avaliação do Risco de Extinção de Espécies da Fauna do ICMBio, a lista funciona como um diagnóstico essencial para priorizar a proteção daquelas que enfrentam maior vulnerabilidade. A conservação exige a união entre pesquisa, investimento e engajamento da sociedade.

O Projeto Tamar exemplifica o impacto dessas ações ao proteger tartarugas marinhas em oito estados. No Espírito Santo, o trabalho de educação ambiental realizado no Centro de Visitantes em Vitória busca sensibilizar o público sobre a fragilidade dos ecossistemas. A professora Marisa Nunes Miranda, que acompanhou as atividades, ressalta que o contato direto com a vida selvagem é fundamental para gerar empatia e consciência ambiental.

Casos de recuperação e desafios críticos

Entre as espécies em situação mais grave está o mutum-do-nordeste, atualmente extinto na natureza e mantido apenas sob cuidados humanos. Um marco recente de esperança ocorreu no Zoológico de Belo Horizonte, onde um casal da espécie conseguiu se reproduzir sem intervenção, permitindo que o filhote nascesse e fosse cuidado pelos pais de forma natural, um feito inédito desde 1970.

Apesar da complexidade dos números, profissionais da área mantêm o foco na resiliência das espécies. Alexsandro Santos, da Fundação Projeto Tamar, reforça que o trabalho de preservação é movido pela esperança de que cada indivíduo devolvido ao seu habitat natural possa representar a continuidade da vida e a recuperação do equilíbrio ecológico.

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