EQUILÍBRIO E CONSERVAÇÃO

Onça-parda sobrevive em áreas de canavial com auxílio de matas ciliares

Onça-parda caminhando em área rural próxima a plantações de cana em Iracemápolis.
Onça-parda em área rural de Iracemápolis. Foto: LAMA/Unicamp.

Estudo da Unicamp revela que a presença de vegetação nativa em Iracemápolis é essencial para a manutenção da espécie e de outros animais silvestres.

A capacidade de adaptação da onça-parda em paisagens dominadas pela agricultura foi confirmada por uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O levantamento, publicado na quinta-feira (24) na Revista do Instituto Florestal, aponta que o felino consegue habitar, reproduzir e manter seu papel fundamental como predador de topo de cadeia mesmo em regiões onde a cana-de-açúcar é predominante.

Essa resiliência, contudo, depende estritamente da preservação de fragmentos de matas ciliares, brejos e represas. Tais áreas funcionam como corredores vitais e refúgios essenciais tanto para as onças quanto para suas presas. Segundo Eleonore Zulnara Freire Setz, professora do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenadora do Laboratório de Ecologia e Comportamento de Mamíferos (LAMA), o exemplo de Iracemápolis ilustra como a recuperação de bacias hidrográficas traz benefícios diretos à biodiversidade.

“Precisamos de água. Para produzir água, precisamos de vegetação nativa, florestas e Cerrado. Cuidando disso poderemos manter a onça-parda e seus serviços ecológicos”, afirma Eleonore. O estudo, que teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), confirmou que as onças são residentes na região, sendo registradas mensalmente independentemente da época de safra.

Além da espécie protagonista, foram identificados outros 23 animais, como o lobo-guará, a jaguatirica e o tamanduá-bandeira. O monitoramento também revelou um risco a longo prazo: a alteração da dieta. Devido à escassez de presas de grande porte, como catetos e veados nas áreas agrícolas, as onças têm se alimentado majoritariamente de pequenos roedores. Essa mudança alimentar pode, futuramente, impactar negativamente a reprodução e o desenvolvimento dos filhotes.

Por ser considerada uma espécie "guarda-chuva", a conservação da onça-parda garante a proteção de todo o ecossistema local. Caso ocorra um encontro inesperado com um desses animais, especialistas recomendam manter a calma, evitar movimentos bruscos e não correr, permitindo que o animal siga seu caminho com segurança para ambos.

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