BIODIVERSIDADE NO CEARÁ

Cientistas identificam nova espécie de ave endêmica na Serra de Baturité

Ave tovaca-de-baturité, espécie recém-descoberta no Ceará
A tovaca-de-baturité, nova espécie endêmica, vive restrita à Serra de Baturité (Foto: Fábio Nunes)

Pesquisadores descrevem a tovaca-de-baturité, animal restrito ao Estado, e alertam para o alto risco de extinção devido ao desmatamento.

Cientistas identificaram uma nova espécie de ave que habita exclusivamente a Serra de Baturité, localizada a cerca de 100 km de Fortaleza. A descoberta da tovaca-de-baturité (Chamaeza baturitensis) foi formalizada em artigo científico publicado na revista da Sociedade Brasileira de Zoologia nesta semana.

A descrição de uma nova espécie em uma região de Mata Atlântica é considerada um feito raro, dado o nível de conhecimento acumulado sobre o bioma. Segundo Vagner Cavarzere, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a descoberta reforça a importância da taxonomia clássica para a conservação da fauna brasileira.

A ave, que vive principalmente no Parque Estadual do Pico Alto, em Guaramiranga, enfrenta um cenário delicado. Estima-se que existam menos de 100 indivíduos, o que coloca a espécie em situação de vulnerabilidade. O isolamento geográfico e a pressão do desmatamento na Região, impulsionado pela especulação imobiliária, tornam o status de conservação da tovaca-de-baturité uma preocupação imediata para especialistas.

Marco Crozariol, biólogo e curador no Museu de História Natural do Ceará Professor Dias da Rocha, vinculado à Uece, explica que o comportamento da espécie é sensível a alterações no ambiente. Por ser fotofóbica, a ave evita áreas claras, sendo prejudicada por aberturas na vegetação. A distinção da tovaca-de-baturité em relação à tovaca-campainha, comum no Sul do Brasil, foi possível graças à análise do canto e da coloração da testa, que é marrom e não preta.

Apesar de o nome estar registrado, o processo de validação científica segue em curso. Enquanto isso, o poder público sinaliza medidas de proteção. A Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema) afirmou que o Parque Estadual do Pico Alto é central para a sobrevivência de espécies endêmicas e que novos planos de manejo e fiscalização estão sendo articulados para mitigar os riscos de extinção.

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