INDÚSTRIA ALERTA

FIERN alerta: isenção de impostos para importados ameaça 135 mil empregos e indústria nacional

Roberto Serquiz, presidente do Sistema FIERN
Roberto Serquiz, industrial e presidente do Sistema FIERN

O presidente do Sistema FIERN, Roberto Serquiz, critica a flexibilização da tributação para produtos estrangeiros e defende a manutenção da competitividade brasileira.

O presidente do Sistema FIERN, Roberto Serquiz, lançou um alerta veemente neste sábado, 16 de maio de 2026, contra a potencial isenção ou redução de tributos sobre importações de pequeno valor, popularmente conhecida como a "taxa das blusinhas". A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já demonstrou que a manutenção dessa cobrança preserva cerca de 135 mil postos de trabalho no Brasil e evita a entrada descontrolada de R$ 4,5 bilhões em produtos estrangeiros sem a devida contrapartida fiscal. Serquiz argumenta que flexibilizar a tributação para importados, buscando um apelo popular de curto prazo, não fortalece o poder de compra do consumidor de forma sustentável, mas sim sufoca a indústria nacional e compromete o futuro econômico do país, resultando em demissões e perda de soberania. Para Serquiz, o desenvolvimento econômico de uma nação não se constrói com soluções de ocasião ou medidas de apelo popular imediato. Exige, acima de tudo, visão de longo prazo e o compromisso com “o dia seguinte”, com as consequências das decisões tomadas. O debate sobre a tributação de importações de pequeno valor, que recentemente voltou ao centro das atenções, traz consigo um alerta crítico: a fragilização da indústria nacional em favor de plataformas estrangeiras. Quando o Governo ou o Legislativo flertam com a isenção ou a redução desses encargos sem garantir que o produtor brasileiro tenha as mesmas condições de custo, o que se está promovendo não é o "poder de compra" do consumidor, mas um estímulo oficial ao sufocamento das nossas fábricas – com a consequente demissão de pessoas – enquanto se incentiva a manutenção de empregos em outros países. A indústria brasileira já carrega um fardo tributário e burocrático exaustivo. Permitir que mercadorias estrangeiras acessem o nosso mercado com privilégios fiscais — que o empresário brasileiro não possui — é uma afronta ao princípio da livre iniciativa e da concorrência leal. Medidas que fragilizam o setor produtivo em troca de aplausos inconsequentes em um período eleitoral representam um erro grave, comprometendo a sustentabilidade da produção e gerando impactos negativos na arrecadação, essencial para a manutenção dos serviços públicos. O Brasil perde sob qualquer aspecto avaliado. É fundamental deixar muito claro que a retirada da tributação da compra em plataformas estrangeiras é um claro apoio à concorrência desleal. De acordo com o Observatório do Custo Brasil, mantido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o custo adicional para se produzir no país chega a impressionantes R$ 1,7 trilhão por ano. Esse valor representa o excedente que as empresas brasileiras pagam para operar em comparação com a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A FIERN, em consonância com o posicionamento da CNI, reafirma que a competitividade nacional depende de um ambiente de negócios equilibrado. “Não podemos aceitar retrocessos que coloquem em risco o sustento de milhares de famílias em troca de conveniências políticas”, afirma Serquiz. O Brasil precisa de coragem para manter o rumo da responsabilidade e de clareza para entender que uma indústria forte é a única garantia real de um país próspero e soberano. Decisões tomadas sob o calor das urnas, com foco em ganhos políticos de curto prazo, costumam cobrar um preço alto demais no futuro, sob a forma de desindustrialização e estagnação. Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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