VISÃO SUBAQUÁTICA

Fernando de Noronha revela tesouros subaquáticos inéditos em panorâmicas espetaculares

Fotógrafos registram panorâmicas inéditas no fundo do mar de Noronha
Fotógrafos registram panorâmicas inéditas no fundo do mar de Noronha

Fotógrafos Fabi Fregonesi e Raphael Gatti imortalizam 16 pontos de mergulho da ilha, incluindo o lendário naufrágio da Corveta Ipiranga, a 62 metros de profundidade, com uma técnica pioneira que reproduz a sensação real do mergulho.

Fernando de Noronha, um santuário ecológico de beleza inigualável, acaba de revelar novas e impressionantes perspectivas de seu mundo submerso. Os fotógrafos Fabi Fregonesi e Raphael Gatti lançam o inovador projeto “Panorâmicas de Noronha”, um vasto acervo de imagens subaquáticas inéditas que, nesta domingo, 17 de maio de 2026, oferece uma imersão visual sem precedentes em 16 pontos de mergulho da ilha. O trabalho foi concebido para transcender as limitações da fotografia comum, utilizando uma técnica panorâmica que desvenda a verdadeira escala das formações submarinas e reproduz a sensação imersiva do mergulho, permitindo ao público uma conexão mais profunda e empática com a majestade escondida do arquipélago.

Essas visões inéditas são meticulosamente compostas pela união de múltiplas fotografias, variando de três a mais de 30 registros capturados em sequência. O propósito central do trabalho é desvelar a colossal dimensão das formações submersas e, sobretudo, recriar a autêntica sensação de mergulho em Noronha, convidando o observador a uma experiência quase tátil com o ambiente marinho.

Um dos cenários registrados é o ponto de mergulho conhecido como Macaxeira. A fotografia que revela sua beleza foi capturada por Raphael Gatti.

A técnica de fotografia panorâmica, incomum em registros de mergulho, foi a escolha dos artistas por um motivo crucial. "Noronha é famosa por cenários como o Morro Dois Irmãos, mas embaixo da água existem paisagens tão impressionantes quanto essas. Uma foto comum não consegue mostrar a escala real desses lugares. Foi daí que surgiu o projeto", explica Fabi Fregonesi, coautora da iniciativa, expressando a profunda vontade de revelar a dimensão autêntica das paisagens subaquáticas do arquipélago.

Raphael Gatti detalha que a técnica emprega mosaicos fotográficos elaborados com até trinta imagens em sequência, meticulosamente unidas para formar uma única e abrangente composição.

"Esse mosaico permite reproduzir a visão e a sensação que o mergulhador tem quando está embaixo da água em Fernando de Noronha", pontua Gatti, sublinhando o poder imersivo das imagens.

O complexo processo de montagem das fotos é uma arte à parte, fruto da colaboração precisa entre Fabi Fregonesi e Raphael Gatti.

Escala e Perspectiva Humana

Um elemento crucial que distingue este trabalho é a presença estratégica de um mergulhador em todas as composições. Essa inclusão não é aleatória; ela serve como uma referência visual indispensável para o espectador compreender a colossal escala e a profundidade das formações subaquáticas.

"Muita gente usa um elemento humano nas fotos. No nosso projeto, entendemos que, sem um mergulhador na imagem, as pessoas não conseguiriam ter noção do tamanho real do ambiente", clarifica Fabi, reforçando a importância de guiar o olhar do público para a dimensão genuína desses ecossistemas.

Entre os registros impressionantes, destaca-se a visão panorâmica das Pedras Secas, um espetáculo natural imortalizado pela lente de Fabi Fregonesi.

O Naufrágio da Corveta Ipiranga: Um Desafio Épico

O registro da lendária Corveta Ipiranga, embarcação que naufragou nas águas de Fernando de Noronha em 1983, representou o maior desafio técnico e logístico para os fotógrafos. Sua história trágica é um capítulo à parte na vida do arquipélago.

As imagens agora revelam, em uma escala visualmente ampliada e deslumbrante, toda a grandiosidade e a sombria beleza desse naufrágio, que jaz a uma impressionante profundidade de 62 metros.

A Corveta sucumbiu ao mar após uma colisão fatal com o Cabeço da Sapata, uma traiçoeira formação rochosa submersa que se eleva perigosamente perto da superfície e que, à época do acidente, não constava nas cartas náuticas utilizadas pela tripulação.

Com o tempo, esse local de repouso final da Corveta transformou-se em um dos mais célebres e cobiçados pontos de mergulho do mundo, atraindo mergulhadores experientes em busca de sua história e mistério.

Apesar de sua vasta exploração, os fotógrafos asseguram que não existem registros anteriores de uma imagem panorâmica que abranja a totalidade e a complexidade da Corveta Ipiranga, tornando este trabalho verdadeiramente pioneiro.

O desafio foi agravado pelo exíguo tempo disponível para a captura das imagens. "Tivemos cerca de 15 minutos para fotografar o naufrágio. O restante do mergulho foi dedicado aos procedimentos de segurança exigidos pela profundidade", detalha Fabi Fregonesi, evidenciando a intensidade e os riscos envolvidos.

Para Raphael Gatti, um planejamento meticuloso foi a chave para o sucesso da empreitada. "Não havia margem para erro. Precisávamos entrar na água sabendo exatamente quais imagens queríamos fazer", ressalta, enfatizando a precisão necessária em cada movimento.

A composição final integra dezenas de fotografias, cuidadosamente alinhadas para criar uma visão contínua e imersiva de todo o sítio do naufrágio, revelando detalhes antes inimagináveis.

Uma das imagens mais emblemáticas é a da Corveta Ipiranga, capturada com maestria por Fabi Fregonesi.

Outros Tesouros do Território Submerso

Para além da impressionante Corveta Ipiranga, o projeto “Panorâmicas de Noronha” ampliou seu escopo, documentando com a mesma dedicação outros emblemáticos pontos de mergulho, como as Pedras Secas, o desafiador Cabeço da Sapata e o fascinante Trinta Réis.

Raphael Gatti compartilha que o desenvolvimento do projeto demandou um estudo exaustivo e aprimoramento contínuo da técnica inovadora empregada, buscando sempre a perfeição na captura da essência de Noronha.

"Trabalhar juntos em algo tão inovador trouxe uma troca muito intensa. No mergulho, muitas decisões são silenciosas, feitas no olhar e no tempo de espera. Existe uma sintonia que vai além da técnica, e isso aparece no resultado", reflete Gatti, revelando a profunda conexão e o entrosamento que culminaram na excelência do trabalho final.

O mergulho no Trinta Réis, com suas formações rochosas singulares, é outro destaque registrado com a visão particular de Raphael Gatti.

Mestres da Lente Subaquática

O sucesso do projeto “Panorâmicas de Noronha” é a coroação da união de dois mestres na fotografia subaquática. Fabi Fregonesi, uma artista da lente, dedica seu trabalho a entrelaçar arte e conscientização ambiental. Após mais de duas décadas atuando no campo da publicidade, ela fez uma transição impactante, dedicando-se à fotografia como ferramenta poderosa para inspirar a preservação dos oceanos.

Sua expertise é globalmente reconhecida: Fabi Fregonesi marcou a história como a primeira brasileira a ascender ao pódio do prestigiado prêmio Underwater Photographer of the Year. Conquistou o 3º lugar na desafiadora categoria “Wrecks” (Naufrágios), destacando-se entre mais de 6,5 mil competidores e suas impressionantes imagens.

Raphael Gatti, também um renomado fotógrafo subaquático e mergulhador, tem seus trabalhos frequentemente publicados em revistas especializadas de renome. Sua paixão pela inovação o impulsiona a pesquisar incansavelmente novas tecnologias e técnicas, expandindo continuamente os horizontes da fotografia submarina.

Apesar de concebido e executado de forma independente, o projeto “Panorâmicas de Noronha” recebeu um apoio fundamental da Águas Claras, a operadora de mergulho mais antiga e respeitada de Fernando de Noronha. A empresa foi essencial na complexa logística das saídas para os pontos de mergulho e na viabilização da expedição, garantindo a segurança e o sucesso da iniciativa.

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