ALERTA DE SAÚDE

Exposição à luz noturna eleva risco de doenças cardiovasculares, diz estudo da CNN Brasil

Ilustração de um coração com raios de luz incidindo sobre ele.
A pesquisa aponta que a exposição à luz durante o sono pode ter consequências sérias para a saúde do coração.

Pesquisa publicada na Jama Network Open revela associação entre claridade durante o sono e problemas cardíacos graves, com impacto maior em mulheres e jovens. Medidas simples de controle podem mitigar os riscos.

Decidido em 2023, com a publicação de um estudo inédito, a exposição à luz noturna foi associada a um aumento significativo no risco de desenvolver doenças cardiovasculares em adultos. A pesquisa, conduzida por cientistas da Austrália, Estados Unidos e Reino Unido, publicada na renomada Jama Network Open, aponta que manter luzes acesas ou utilizar telas luminosas durante o período de sono pode ter um impacto devastador na saúde do coração e dos vasos sanguíneos. A descoberta é crucial para a prevenção de enfermidades que afetam milhões de pessoas globalmente, reforçando a importância de ambientes propícios ao descanso.

O estudo, intitulado "Exposição à Luz Noturna e Incidência de Doenças Cardiovasculares", analisou dados de 88.905 participantes do UK Biobank, todos sem histórico prévio de condições cardíacas. Utilizando sensores de luz de pulso por uma semana, os pesquisadores monitoraram a exposição luminosa dos voluntários, cuja idade média era de 62,4 anos (56,9% mulheres). Os resultados, acompanhados por quase uma década (junho de 2013 a novembro de 2022), revelaram um padrão alarmante: quanto maior a intensidade da luz noturna, maior o risco de problemas cardiovasculares graves.

Os dados são contundentes. Comparando indivíduos em ambientes mais escuros com aqueles expostos a níveis elevados de luz entre 0h30 e 6h, o estudo identificou aumentos expressivos nos riscos de:

  • Insuficiência cardíaca: risco elevado em 56%.
  • Infarto do miocárdio (ataque cardíaco): risco elevado em 47%.
  • Doença arterial coronariana: risco elevado em 32%.
  • Fibrilação atrial (arritmia): risco elevado em 32%.
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC/derrame): risco elevado em 28%.

É importante ressaltar que os pesquisadores conseguiram isolar esses riscos de fatores tradicionais, como estilo de vida (sedentarismo, consumo de álcool), condições socioeconômicas, moradia em áreas urbanas, qualidade do sono e predisposição genética. A associação entre luz noturna e doenças cardíacas permanece forte, mesmo quando esses outros elementos são considerados.

Um achado particularmente relevante é que o impacto negativo da luz noturna foi mais pronunciado em mulheres e em indivíduos mais jovens, especialmente aqueles com menos de 40 anos. Essa suscetibilidade aumentada em grupos específicos sugere que a sensibilidade do sistema circadiano à luz pode diminuir com o envelhecimento, tornando os mais novos mais vulneráveis aos efeitos perturbadores da iluminação artificial durante o sono.

A ciência explica o mal que a luz faz à noite: a disfunção circadiana. A exposição luminosa noturna desregula o relógio biológico de 24 horas, gerando um cascade de efeitos prejudiciais ao sistema cardiovascular. Entre eles, a elevação crônica da pressão arterial, o aumento da propensão à formação de coágulos sanguíneos (hipercoagulabilidade), a intolerância à glicose com risco de diabetes tipo 2 e a geração de conflitos nos sinais elétricos cardíacos, que podem levar a arritmias.

Diante dessas descobertas, os autores do estudo recomendam enfaticamente a adoção de medidas para minimizar a exposição à luz brilhante durante a noite. Isso inclui o controle rigoroso da iluminação artificial nos ambientes e a evitação do uso de telas eletrônicas antes de dormir. Essas práticas devem ser combinadas com as recomendações de saúde já conhecidas, como uma dieta equilibrada, a prática regular de exercícios físicos e a abstenção de álcool e cigarro, visando a proteção integral da saúde cardiovascular e a promoção do bem-estar individual.

*Sob supervisão de Jorge Fernando Rodrigues

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