SAÚDE E LONGEVIDADE
Novas evidências científicas questionam eficácia de suplementos para o cérebro
Estudos recentes da The Lancet e Cell Press Blue alertam para a baixa eficácia do óleo de peixe contra o Alzheimer e os riscos do excesso de proteína.
A eficácia dos suplementos de óleo de peixe na prevenção da demência foi colocada em xeque por uma nova pesquisa. O estudo, publicado na revista eBioMedicine, periódico integrante da The Lancet, concluiu que a ingestão regular dessas substâncias não preserva a cognição nem o volume cerebral em idosos com risco de desenvolver Alzheimer.
Para a investigação, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia acompanharam 365 adultos, entre 55 e 80 anos, por dois anos. O grupo foi dividido entre aqueles que receberam doses altas de óleo de peixe e os que consumiram placebo. Ao final do período, não houve diferença significativa no desempenho cognitivo ou na perda de volume do hipocampo entre as partes. Os cientistas reforçam que a saúde cerebral depende de um conjunto multifatorial, envolvendo estilo de vida, genética e ambiente.
Em contrapartida, dados do estudo COSMOS (COcoa Supplement Multivitamins Outcomes Study) indicam benefícios no uso de multivitamínicos. Pesquisadores da Universidade Augusta analisaram 16 mil pessoas com 60 anos ou mais e observaram que o uso diário desses complexos pode auxiliar na manutenção da saúde funcional e no bem-estar físico de idosos.
A atenção também se volta ao consumo de proteínas. Uma revisão de mais de 350 artigos, publicada no fim de julho no periódico Cell Press Blue, aponta que dietas com restrição proteica podem estar associadas à longevidade.
Segundo Dudley Lamming, da Universidade de Wisconsin-Madison, e seu colega Bailey Knopf, embora a proteína seja essencial para indivíduos ativos, a população sedentária pode estar consumindo quantidades excessivas. O alerta ganha relevância em um cenário onde alimentos fortificados ganham mercado e diretrizes nutricionais americanas foram atualizadas para incentivar a ingestão proteica, ignorando possíveis efeitos colaterais a longo prazo.
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