CULTURA INSTITUCIONAL EM XEQUE
Ex-superintendente da PF questiona autonomia da corporação após nota oficial
Alexandre Saraiva aponta que alinhamento de 27 superintendentes com a direção-geral pode indicar erosão da independência investigativa na Polícia Federal.
Alexandre Saraiva, ex-chefe da Polícia Federal (PF) no Amazonas, levantou questionamentos sobre o futuro da autonomia da corporação. A manifestação ocorreu após a divulgação de uma nota assinada por 27 superintendentes regionais em apoio à atual direção-geral da instituição.
O documento, tornado público nesta quinta-feira (6), traz um tom inédito para a estrutura interna da PF. Para Saraiva, que serviu durante 23 anos e liderou investigações complexas, o alinhamento dos chefes regionais com a cúpula da organização sinaliza uma mudança profunda e preocupante nos valores internos.
O ex-superintendente, que já havia prestado depoimento em inquéritos sobre supostas interferências políticas, avalia que o ambiente institucional mudou. "Quando posições passam a funcionar como indulgências profissionais e manifestações de alinhamento parecem credenciais úteis, a cultura inteira se transforma", pontua.
A nota dos superintendentes surge em um cenário de alta tensão. Integrantes da equipe do ministro do Supremo Tribunal Federal (SFT), André Mendonça, manifestaram suspeitas sobre o repasse de informações privilegiadas da PF ao governo Lula (PT), envolvendo casos sensíveis. Saraiva alerta que, em vez de uma revogação formal de poderes, a autonomia tem sido fragilizada pelo excesso de burocracia e controles administrativos.
Para o policial aposentado, a verdadeira independência de uma instituição não deve ser apenas proclamada em notas oficiais, mas preservada na prática, especialmente quando as investigações geram desconforto político ou administrativo.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário