CADEIA DE RESPONSABILIDADE

Indiciamento na Voepass: PF aponta negligência de 16 pessoas em acidente

Escombros de avião da Voepass em área de vegetação após acidente em Vinhedo.
Escombros da aeronave em Vinhedo (SP). Foto: Nelson Almeida/AFP

Investigação revela que falhas no sistema de degelo e pressões operacionais foram ignoradas, resultando na queda que vitimou 62 pessoas em Vinhedo.

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do voo da Voepass em Vinhedo (SP), ocorrida em agosto de 2024, identificando que o desastre de 62 vítimas foi resultado de uma sucessão de negligências sistêmicas. A decisão foi tomada pela PF em Campinas (SP) com o objetivo de responsabilizar os envolvidos na omissão de falhas técnicas graves que comprometeram a segurança dos passageiros e tripulantes.

O delegado-chefe da PF em Campinas (SP), André Almeida de Azevedo Ribeiro, detalhou que a apuração revelou uma cadeia de responsabilidades que abrange desde a operação técnica, passando pelo Centro de Controle de Manutenção (MCC), até a alta direção da empresa. A investigação aponta que problemas crônicos no sistema de degelo da aeronave eram de conhecimento interno, mas foram sistematicamente omitidos de registros oficiais para evitar que aviões fossem retirados de circulação.

A gravidade da conduta humana, que sobrepôs interesses operacionais à vida, reflete-se no relato contido na caixa-preta da aeronave. Em voos que antecederam a tragédia, tripulantes já manifestavam, em áudios, o temor diante das condições adversas enfrentadas pela aeronave, incluindo o acúmulo de gelo, evidenciando o ambiente de risco a que os profissionais estavam submetidos.

O relatório da PF, que indiciou 16 pessoas, entre pilotos, mecânicos, gerentes e diretores, é uma etapa da investigação. O caso, agora, segue para o Ministério Público, que avaliará os próximos desdobramentos processuais. A Voepass informou que respeita o rito da investigação e aguarda os trâmites legais para exercer o seu direito de defesa, conforme a legislação vigente.

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