GESTÃO SOB INVESTIGAÇÃO
Indiciamento de José Luiz Felício Filho: a responsabilidade na tragédia da Voepass
Presidente da companhia é apontado pela PF como um dos responsáveis pela cultura de omissão que culminou no acidente de agosto de 2024.
A Polícia Federal concluiu o indiciamento de José Luiz Felício Filho, proprietário e presidente da Voepass, no âmbito das investigações sobre o desastre do voo 2283, que vitimou 62 pessoas em Vinhedo (SP). A decisão das autoridades, formalizada no decorrer das apurações, baseia-se na constatação de que o empresário foi omisso frente às fragilidades técnicas da frota e teria fomentado uma cultura organizacional de silenciamento sobre falhas operacionais. Este indiciamento, que ainda permite o exercício do contraditório e cabe análise pelo Ministério Público, coloca sob holofotes a responsabilidade direta da cúpula da empresa. Ao todo, 16 pessoas foram apontadas por sua participação ou negligência, sendo todas investigadas pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Para as famílias das 62 vítimas, a responsabilização representa um passo na busca por justiça e transparência. O impacto dessa cultura de "não reporte", denunciada por ex-funcionários, resultou em uma tragédia sem precedentes, onde alertas sobre o sistema de degelo da aeronave foram ignorados em prol da disponibilidade da frota. A dor dos que perderam seus entes queridos é agora acompanhada pela revelação de que a aeronave operava em condições críticas de segurança. Conforme o artigo 261 do Código Penal, o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo prevê penas que podem variar de 2 a 5 anos de prisão, com agravantes em casos de resultado morte. Após o acidente, a gestão de José Luiz Felício Filho enfrentou um colapso administrativo, marcado pela cassação do Certificado de Operador Aéreo pela Anac em 2025 e um passivo superior a R$ 400 milhões. A trajetória do empresário, que herdou o legado da aviação regional de seu pai, José Luiz Felício, confunde-se com a história da própria empresa. Piloto há três décadas, ele centralizou a tomada de decisões nos anos que antecederam o acidente, acumulando funções de gestão e controle, o que, segundo a PF, amplia a extensão de suas responsabilidades sobre as falhas sistêmicas que permitiram o voo fatídico.
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