MONUMENTO NA TAÍBA

Estátua de 11 metros do Diabo é erguida em templo religioso no Ceará

Estátua de 11 metros de altura retratando o Diabo instalada em espaço aberto.
Estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo na Taíba, Ceará. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução.

Localizado em São Gonçalo do Amarante, o monumento foi instalado em terreno privado após regularização junto aos órgãos ambientais do Governo do Estado.

Uma estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo foi erguida na Taíba, em São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Fortaleza, tornando-se o símbolo central do templo Palácio Estrela Negra da Quimbanda. A estrutura, instalada em uma propriedade privada, foi inaugurada no último dia 25 de julho pela líder religiosa Mãe Rainha das Trevas.

O monumento representa um marco para a comunidade religiosa, que busca a autorização legal para suas manifestações. Segundo informações da Prefeitura, a emissão da Licença Ambiental e do Alvará de Construção ocorreu dentro da conformidade legal, contando com a necessária autorização do Governo do Estado. Por estar situada na Área de Proteção Ambiental (APA) das Dunas do Litoral Oeste, a obra passou pelo crivo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Para Mãe Rainha das Trevas, a construção, que demandou um investimento superior a R$ 100 mil, reafirma a identidade do seu espaço de fé. O debate sobre a obra também lança luz sobre a natureza da quimbanda, prática frequentemente mal compreendida pelo público leigo. De acordo com o Tata Roberto Leão, a quimbanda não é uma religião, mas uma prática magística de matriz africana, influenciada por povos originários e pela magia cerimonial europeia.

O Tata Roberto Leão explica que o culto aos exus e pombagiras, elementos centrais da prática, é um convite ao autoconhecimento. "Não é uma prática do mal. É uma prática de se curar. É uma prática de cultuar a sua ancestralidade, honrar a si mesmo, se compreender como inteiro e ser uma pessoa mais completa", afirma o líder, desmistificando associações simplistas com figuras demoníacas ocidentais.

A prática da quimbanda, que significa curador na língua Banto, baseia-se na oralidade e não possui livros sagrados rígidos como a Bíblia, o Alcorão ou a Torá. O processo, segundo os adeptos, é um mergulho profundo nas próprias sombras para a busca da cura espiritual, visando, em última instância, a plenitude do indivíduo.

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