IMPACTOS NA SAÚDE

Riscos da fumaça de incêndios florestais para a saúde a longo prazo

Bombeiros combatem incêndio florestal em área rural da Espanha.
Bombeiros trabalham para conter incêndio florestal em Formariz, Espanha.

Estudos revelam que a exposição prolongada a poluentes de queimadas pode causar doenças crônicas e elevar a mortalidade global.

A exposição à fumaça de incêndios florestais gera riscos à saúde humana muito além do desconforto imediato, podendo desencadear danos severos ao organismo a longo prazo. O alerta vem de uma série de pesquisas científicas recentes que detalham como a inalação de partículas finas compromete o sistema imunológico e acelera o desenvolvimento de patologias graves.

Em 29 de julho de 2026, moradores e bombeiros em Formariz, na província de Zamora, na Espanha, enfrentavam o combate direto às chamas, um cenário que se repete em diversos países da Europa durante este verão. A persistência desses incêndios históricos traz à tona um problema silencioso: a qualidade do ar que circula entre fronteiras e impacta populações distantes.

"O corpo inteiro é afetado", explica Yang Liu, professor de Saúde Ambiental da Universidade Emory, em Atlanta. De acordo com o pesquisador, a fumaça induz o estresse oxidativo, potencializando ou antecipando o surgimento de doenças. Em estudo divulgado em janeiro no European Heart Journal, a exposição recorrente à fumaça foi vinculada ao aumento do risco de AVC em idosos, enquanto uma pesquisa publicada em fevereiro na Science Advances estimou que a exposição de longo prazo contribuiu para 24.100 mortes anuais nos Estados Unidos entre 2006 e 2020.

O grande vilão desse processo é o material particulado fino, conhecido como PM2,5. Por seu tamanho reduzido, essas partículas penetram profundamente nos pulmões e alcançam a corrente sanguínea, carregando consigo metais tóxicos como mercúrio e cádmio, além de substâncias sintéticas conhecidas como PFAS. O impacto é devastador para gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas.

A toxicidade da fumaça, contudo, é variável e cresce com o tempo. Pesquisadores na Grécia, liderados por Nikolaos Mihalopoulos, do Instituto de Pesquisa Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Observatório Nacional de Atenas, identificaram que a fumaça pode se tornar quatro vezes mais tóxica dias após a combustão inicial. Esse fenômeno foi observado na escala global após os incêndios no Canadá em 2023, que espalharam poluentes pela América do Norte, Europa e Ásia.

Para mitigar os danos, especialistas como Mary Johnson, da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan, recomendam o isolamento em ambientes fechados, o uso de filtros de ar e a manutenção de máscaras do tipo N95. Embora fontes de poluição urbana continuem como as maiores responsáveis por mortes no cotidiano, como aponta Cathryn Tonne, do Instituto de Saúde Global de Barcelona, a crescente frequência dos incêndios florestais exige novas políticas de proteção e monitoramento comunitário para preservar a saúde pública.

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