FENÔMENO METEOROLÓGICO SEVERO

Entenda como se forma o ciclone bomba e os riscos para o Brasil

Imagem de satélite da formação de um ciclone sobre o oceano.
Passagem de ciclone bomba pelo Sul do Brasil em julho de 2020. — Foto: Kleber Trabaquini/ Epagri-Ciram/ Goes 16 - NOAA

Sistema previsto para se formar entre o Uruguai e o litoral gaúcho pode atingir força máxima entre quinta-feira (6) e sábado (8).

Meteorologistas monitoram a formação de um ciclone extratropical previsto para ocorrer entre o Uruguai, o litoral do Rio Grande do Sul e o Oceano Atlântico. O fenômeno pode se intensificar rapidamente no período compreendido entre quinta-feira (6) e sábado (8), transformando-se em um ciclone bomba caso a pressão central caia de forma acentuada em curto intervalo de tempo.

O que caracteriza o ciclone bomba

O termo técnico "ciclone bomba" descreve um evento de ciclogênese explosiva. O processo ocorre quando uma área de baixa pressão se intensifica velozmente, impulsionada pelo encontro de massas de ar com temperaturas distintas: ar frio contra ar quente e úmido. Essa divergência térmica organiza o sistema e acelera o deslocamento do ar, resultando em ventos mais fortes e instabilidade climática severa.

Impactos esperados em solo brasileiro

Como a previsão indica que o centro do sistema deve permanecer sobre o oceano, os efeitos em terra serão causados, principalmente, pela frente fria associada e pelas linhas de tempestade. Segundo os modelos meteorológicos, rajadas de vento podem superar os 100 km/h em áreas serranas e no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro. No sul e leste do Rio Grande do Sul, os ventos podem passar de 91 km/h.

Riscos e vulnerabilidades

A rapidez do fenômeno encurta o prazo para que serviços de emergência e concessionárias de energia se preparem. O risco aumenta devido a fatores como o encharcamento prévio do solo, que eleva as chances de deslizamentos e queda de árvores, além da agitação marítima que pode provocar erosão na faixa de areia. A vulnerabilidade de construções frágeis e redes elétricas aéreas também preocupa as autoridades locais.

Contexto climático e o papel do El Niño

Embora ciclones extratropicais sejam comuns em latitudes médias, a variante "bomba" exige condições específicas de contraste térmico, sendo mais frequente em regiões oceânicas do Hemisfério Sul, como a rota entre a Argentina, o Uruguai e o Brasil. Sobre a influência do El Niño, especialistas ressaltam que o fenômeno altera a circulação atmosférica, mas não é o causador direto do ciclone, uma vez que cada sistema depende das condições meteorológicas pontuais do momento.

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