ACUSAÇÃO HISTÓRICA CONTRA CASTRO
Estados Unidos acusam Raúl Castro de homicídio e conspiração; apagões em Cuba dificultam acesso à notícia
Enquanto a acusação formal dos EUA contra o ex-líder cubano por homicídio se espalhava, apagões e instabilidade na rede deixavam muitos na ilha sem informação. A população reage com ceticismo e esperança por mudança.
A notícia da acusação formal dos Estados Unidos contra Raúl Castro, ex-líder de Cuba, por homicídio e conspiração na derrubada de dois aviões em 1996, que resultou na morte de quatro pessoas —três delas americanas—, começou a circular pelo mundo. No entanto, muitos cubanos permaneceram no escuro, tanto literal quanto figurativamente.
Apagões generalizados na ilha, agravados pela escassez de combustível, e sinais de telefone instáveis atrasaram a chegada da informação sobre esta nova e acentuada escalada na campanha de pressão dos EUA contra o regime cubano para muitos de seus próprios habitantes. A decisão, comunicada na quarta-feira, 20 de maio de 2026, teve seu impacto inicial limitado pela precariedade da infraestrutura local.
Presos entre as severas sanções americanas e um regime descrito como repressivo, os cubanos que conseguiram acessar a notícia em smartphones com pouca bateria ou em televisores antigos expressaram opiniões divididas sobre a legitimidade das acusações. Apesar das divergências, um cansaço comum com o status quo era evidente.
"Isso tem que mudar", declarou Yoandy Benítez Ramirez, 24, trabalhador de uma fábrica de tabaco em Havana. A população cubana enfrenta apagões frequentes, fome e uma crise de saúde que se intensificou após o corte no fornecimento de petróleo da ilha pelo governo de Donald Trump em janeiro de 2026. Muitos anseiam por uma mudança que alivie o sofrimento.
O governo Trump utilizou uma acusação federal contra Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, como pretexto para sua captura em janeiro. Embora não esteja claro se os militares dos EUA planejam uma operação similar em Cuba, muitos cubanos questionam se a acusação é apenas mais um movimento em uma prolongada campanha de pressão ou o prelúdio para uma intervenção americana mais enérgica. "Não acho que uma intervenção militar seja a solução, mas se é isso que for preciso, bem —o que precisamos é que isso acabe de uma vez por todas, agora", disse Yasiel Lugones, 27, entregador em Havana, expressando o desejo pelo fim do domínio da classe dominante, incluindo "toda a família Castro".
O regime cubano condenou a acusação do Departamento de Justiça na quarta-feira, 20 de maio de 2026. O líder cubano Miguel Díaz-Canel classificou a ação como "uma ação política, sem qualquer base legal", sugerindo que visa justificar uma potencial agressão militar contra a ilha. Alguns cubanos, como o engenheiro mecânico Frank Alejandro Font, 24, de Havana, consideram as acusações ilegítimas, argumentando que Cuba agiu em legítima defesa após violações de seu espaço aéreo pelo grupo de ajuda Irmãos ao Resgate. Font alertou sobre os riscos de danos colaterais em caso de intervenção estrangeira.
Rumores sobre um evento iminente circulavam em Cuba nos dias que antecederam o anúncio, alimentando especulações sobre intervenção militar dos EUA ou grandes protestos. A deterioração das condições de vida tem levado a um aumento nos protestos, mas especialistas veem pouca probabilidade de um levante popular que ameace o regime.
Uma pesquisa recente do site cubano El Toque, com mais de 40 mil respostas voluntárias, indicou que cerca de 56% dos residentes na ilha e quase 70% dos cubanos no exterior apoiariam uma intervenção militar dos EUA. Michael J. Bustamante, professor de história da Universidade de Miami, interpreta esses dados não como um desejo por intervenção estrangeira, mas como um reflexo do "nível tal de exasperação, desespero" da população, que aceitaria ajuda de qualquer fonte.
Raúl Cardoso, 70, aposentado, expressou um desejo por resolução: "Se vão entrar, que entrem. E se não, que parem de falar tanto."
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