VERBAS PÚBLICAS

Escândalos e alianças: de Parelhas ao Senado, bastidores da política no RN

Escândalos e alianças: de Parelhas ao Senado, bastidores da política no RN

Esquema de R$ 2 milhões teria desviado verbas da saúde para escola. Denúncia eleva alerta sobre gestão ética.

Nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, uma séria controvérsia ética e administrativa emergiu, envolvendo o prefeito de Parelhas, Tiago de Medeiros Almeida, e o senador Styvenson Valentim. Eles teriam orquestrado um engenhoso esquema para financiar a reforma de uma escola com recursos da saúde, apresentando a obra publicamente como resultado direto de uma emenda parlamentar do senador. A situação levanta profundas questões sobre a transparência na gestão pública, a ética no uso de verbas e a integridade da informação veiculada aos cidadãos.

O cerne da polêmica reside no que foi publicamente descrito pelo próprio prefeito Tiago de Medeiros Almeida como um 'malabarismo da emenda'. Segundo o relato do gestor de Parelhas, ele havia solicitado 2 milhões de reais ao senador Styvenson para a reforma da escola. No entanto, Styvenson teria informado não possuir mais emendas disponíveis para a área da educação. A solução encontrada, e publicamente revelada, foi um ardil: o senador enviaria verbas destinadas à saúde, o município economizaria recursos próprios que seriam usados no custeio da saúde e, então, redirecionaria esse dinheiro municipal para a obra da escola.

Essa manobra, classificada como 'fraude' na narrativa, permitiu que a obra fosse realizada, mas de uma forma que supostamente mascarava a real origem dos fundos e o propósito inicial da emenda parlamentar. O prefeito, em um gesto que reforçou a percepção da 'mentira oficial', instalou uma placa na escola reformada que ostenta a frase: "financiada com recursos de emenda parlamentar do senador Styvenson Valentim", solidificando a versão de que a obra foi diretamente custeada pelo senador.

O alegado modus operandi não seria isolado. Críticos apontam que o senador Styvenson Valentim utiliza uma estratégia semelhante para creditar a si a construção de hospitais. Ele envia emendas para custeio na área da saúde, e as instituições beneficiadas, como a Liga, utilizam esses recursos para despesas operacionais. Em vez de usar seus próprios recursos para o custeio – agora liberados pela emenda – essas verbas próprias são então redirecionadas para a construção de novas sedes, permitindo que o senador propague a ideia de ter construído tais unidades, criando um abismo gigante entre a verdade e suas declarações.

Diferença de abordagem

Em um cenário de intensas discussões políticas no RN, a vereadora Samanda Alves, pré-candidata do PT ao Senado, adotou uma postura notavelmente diferente. Enquanto setores mais radicais do seu partido contestam fatos sobre o travamento de recursos federais para Natal, Samanda agiu proativamente. Ela contatou o prefeito Paulinho Freire para entender a fundo a situação e a motivação por trás do bloqueio de verbas, colocando-se à disposição para atuar na liberação dos recursos junto à Casa Civil do governo Lula. Sua atitude demonstra um compromisso com a resolução de problemas, em vez de se limitar à retórica política.

Censura ou prevenção?

O PL, partido que frequentemente levanta a bandeira da liberdade de expressão e denuncia a censura, protagonizou uma ação que gerou controvérsia. A sigla solicitou à Justiça a suspensão de um pronunciamento oficial do presidente Lula, sob a alegação de que ele 'poderia' cometer crimes eleitorais. Essa iniciativa é vista por muitos como um ato de censura pura, contrariando o discurso do próprio partido e que certamente será tema de debate futuro.

Aval no PL Nacional

Ainda no âmbito do PL, o presidente Nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, deu seu aval à candidatura de Coronel Hélio ao Senado pelo RN. Mesmo sem ter votos diretos no Estado, o movimento de Valdemar reforça o interesse do partido na eleição de Hélio e indica uma avaliação de viabilidade para a postulação.

Papelão político

O empresário Flávio Rocha, por sua vez, tem gerado críticas pela forma como aborda sua possível incursão na política do RN. Sua filiação a um partido de forma silenciosa, a ausência de um posicionamento claro sobre candidatura e a comunicação por intermédio de terceiros são vistas como um 'papelão'. O que poderia ser uma opção séria e viável na política local, está se transformando em uma performance de pouca seriedade.

Incoerência no Senado

A sabatina do advogado Jorge Messias no Senado Federal expôs uma notável incoerência por parte de senadores bolsonaristas. Eles tentaram encontrar motivos históricos para votar contra a indicação, demonstrando uma pré-disposição. A crítica aponta que a decisão seria mantida independentemente do mérito do sabatinado, sugerindo que, para esses parlamentares, a lealdade partidária ou ideológica prevalece sobre a análise objetiva das qualificações, a ponto de, "se fosse Jesus Cristo, eles inventariam motivo para ficar contra. Se fosse o anticristo, desde que indicado por Bolsonaro, votariam a favor."

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