MERCADOS EM ALERTA

Dólar recua com tensão EUA-Irã e cautela sobre fiscal brasileiro

Notas de dólar americano.
Notas de dólar.

Ameaças de novos ataques americanos ao Irã e o quadro fiscal do Brasil movimentam a moeda. Juros globais sob observação.

A troca de ataques aéreos entre Estados Unidos e Irã e o temor de uma nova escalada continuam a preocupar os mercados financeiros. Nesta quinta-feira, 11/06/2026, analistas indicam que a escalada de tensões, apesar de um alívio pontual nos preços do petróleo, já pressiona a inflação global e pode forçar bancos centrais a manterem juros elevados por mais tempo.

Mesmo diante das preocupações com uma escalada das tensões, os preços do petróleo operavam em queda nesta quinta-feira. Perto das 8h50, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,37%, cotado a US$ 91,82. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, tinha perdas de 1,22%, cotado a US$ 88,93 o barril.

Os sinais de pressão na inflação global também aumentam as expectativas pelas decisões de juros de bancos centrais pelo mundo. Nesta quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) deve anunciar sua decisão de política monetária, com expectativa de aumento das taxas de juros na zona do euro. Na próxima semana, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Banco Central do Brasil se reunirão na chamada Superquarta. Esta será a primeira reunião do BC americano sob a gestão do novo presidente da instituição, Kevin Warsh.

O quadro fiscal do Brasil também permanece no radar dos investidores. Na véspera, a Comissão de Justiça do Senado aprovou medidas que podem elevar os gastos do governo em cerca de R$ 200 bilhões. Especialistas apontam que a sustentabilidade das contas públicas é um desafio crucial para a economia brasileira e pode pressionar por juros mais elevados no país.

Novos embates entre EUA e Irã aumentam cautela. A escalada das tensões no Oriente Médio volta a preocupar os mercados financeiros nesta quarta-feira. Na véspera, o presidente dos Estados Unidos acusou o Irã de derrubar um helicóptero americano perto do Estreito de Ormuz e afirmou que os EUA "precisarão responder" ao ataque iraniano.

Uma autoridade militar dos EUA informou ao site norte-americano Axios que um drone iraniano atingiu o helicóptero Apache, causando a queda. A investigação sobre o incidente ainda não determinou se o ataque do drone foi intencional. O presidente americano busca um acordo de paz no Oriente Médio e havia advertido Israel para que não retomasse a guerra contra o Irã, indicando na segunda-feira que um acordo estaria na "fase final" e poderia levar mais "dois ou três dias".

No entanto, o discurso de Trump mudou. Nesta quarta-feira, o presidente americano chamou o Irã de "valentão do Oriente Médio" e afirmou que o país agora terá que "pagar o preço" por não ter aceitado um acordo de paz. Em um post na rede Truth Social, Trump declarou que as Forças Armadas iranianas estão destruídas e ameaçou: "As Forças Armadas do Irã são um completo caos. Grande parte delas, como a Marinha e a Força Aérea, sequer existe mais – foram completamente derrotadas. O Irã só fala e não age. O valentão do Oriente Médio está MORTO!!! Demoraram demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles, agora terão que pagar o preço!!!"

Pouco depois, o presidente dos EUA deu uma entrevista à emissora americana Fox News, onde anunciou estar perto de ordenar novos ataques contra usinas de energia e pontes do Irã. Durante a tarde, Trump afirmou que deve voltar a atacar o Irã e destacou que realizou uma operação secreta no Estreito de Ormuz para liberar navios petroleiros.

Nos mercados globais, as ações da China e de Hong Kong fecharam em queda, acompanhando a desvalorização dos mercados regionais. O CSI300, que reúne as maiores companhias envolvidas em Xangai e Shenzen, caiu 0,55%, enquanto o Hang Seng recuou 0,65%. No Japão, o Nikkei avançou 0,06%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, registrou uma valorização de 0,43%. O SSEC, de Xangai, perdeu 0,16%.

Veja os dados do dia:

  • Dólar: Acumulado da semana: +0,30%; Acumulado do mês: +2,57%; Acumulado do ano: -5,77%.
  • Ibovespa: Acumulado da semana: -0,21%; Acumulado do mês: -2,95%; Acumulado do ano: +4,68%.

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