DECISÃO REPERCUTE

Dias Toffoli pauta recursos de big techs sobre regulação de redes no STF

Imagem do ministro Dias Toffoli em um evento oficial.
Ministro Dias Toffoli (STF) analisará recursos de empresas de tecnologia.

Recursos de Meta e Google pedem ajustes na tese do STF que ampliou responsabilização de plataformas por conteúdos ilícitos. Julgamento ocorrerá virtualmente entre 29 de maio e 9 de junho.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), definiu que recursos de grandes empresas de tecnologia serão julgados no plenário virtual. A decisão, tomada com base em pedidos de esclarecimentos e ajustes, diz respeito a uma tese da Corte que aumentou a responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos ilícitos publicados por usuários. O julgamento está marcado para ocorrer entre 29 de maio e 9 de junho, data em que se espera um desfecho para o debate que impacta a liberdade de expressão e a segurança jurídica na internet.

Entre as empresas que apresentaram embargos de declaração estão Meta e Google. Elas buscam no Supremo Tribunal Federal revisões e correções em pontos da tese firmada pelo tribunal durante o julgamento do Marco Civil da Internet. A análise destes recursos, que pode moldar o futuro da moderação de conteúdo e da responsabilização online no Brasil, ocorrerá virtualmente, sem a necessidade de sessão presencial. As partes aguardam, a partir de 29 de maio, a definição sobre como as novas regras serão aplicadas.

Em junho de 2023, o STF estabeleceu, por 8 votos a 3, que o artigo 19 do Marco Civil da Internet é parcialmente inconstitucional. A Corte argumentou que a regra anterior, que exigia ordem judicial para responsabilizar plataformas, não oferecia proteção adequada contra a disseminação de conteúdos ilegais. Essa decisão, na prática, ampliou o leque de situações em que redes sociais podem ser acionadas judicialmente por postagens de terceiros, um ponto sensível para a dignidade de vítimas de discursos de ódio e desinformação, mas também para a liberdade de expressão.

As empresas de tecnologia argumentam em seus recursos que a tese aprovada pelo Supremo apresenta omissões, obscuridades e pode gerar insegurança jurídica. A Meta, dona do Facebook, por exemplo, sinaliza que a decisão instituiu um "novo regime de responsabilidade civil" e questiona a aplicação temporal das novas regras, pedindo que os efeitos valham apenas após o trânsito em julgado do processo. A plataforma também solicita um prazo para que as empresas se adaptem às novas exigências de moderação e transparência. Além disso, sugere que a tese se refira apenas a conteúdos "manifestamente" ilícitos ou criminosos, visando evitar censura e remoções arbitrárias.

Já o Google aponta que a redação da tese pode levar a interpretações conflitantes nos tribunais inferiores. A empresa busca esclarecimentos sobre os requisitos mínimos para notificações extrajudiciais enviadas por usuários às plataformas, buscando maior clareza e previsibilidade na gestão de denúncias.

Paralelamente ao julgamento no STF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em 21 de maio de 2026, dois decretos com novas regras para a atuação das big techs no Brasil. As normas, a serem publicadas no Diário Oficial da União, atualizam o Marco Civil da Internet para combater fraudes e crimes digitais. Um dos decretos atribui à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a competência para regular e fiscalizar plataformas, exigindo que empresas de publicidade online mantenham dados para responsabilização e reparação de danos. Essas medidas refletem um esforço contínuo para equilibrar inovação tecnológica com a proteção dos direitos dos cidadãos e a segurança pública.

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