INVESTIGAÇÃO POLICIAL
Deolane Bezerra presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC; carros de luxo apreendidos
Influenciadora e advogada teve bens bloqueados em investigação que apura esquema milionário da facção. Seis mandados de prisão foram expedidos.
A advogada e influenciadora Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira, 21/05/2026, durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e resultou na apreensão de ao menos quatro carros de luxo na mansão da influenciadora. A decisão de prendê-la e bloquear bens visa garantir a ordem pública e a investigação, considerando a sofisticação do esquema e o risco de fuga e destruição de provas. A importância desta operação reside na desarticulação de uma rede financeira criminosa que movimenta milhões e impacta a segurança pública.
Os veículos apreendidos incluem um Cadillac Escalade, um Land Rover Range Rover, um Mercedes-AMG G 63 e um Jeep Commander, com valores que podem variar entre R$ 220 mil e R$ 2,5 milhões. A Justiça determinou ainda o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros de investigados. Os carros apreendidos foram levados para a sede da Polícia Civil, na Rua Brigadeiro Tobias, Centro de São Paulo.
A Operação Vérnix apura um esquema que, segundo o Ministério Público de São Paulo, envolve uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior do estado. Essa empresa seria controlada pela cúpula do PCC e utilizada para repassar recursos a outras contas, dificultando o rastreamento do dinheiro. Duas contas identificadas nas investigações pertencem a Deolane Bezerra.
Além de Deolane Bezerra, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva. Entre os alvos estão Marcola, apontado como chefe do PCC, Alejandro Camacho e seu irmão, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, a sobrinha Paloma Sanches Herbas Camacho, e Everton de Souza, conhecido como "Player" e identificado como operador financeiro do grupo. Marcola e Alejandro Camacho serão comunicados da nova ordem de prisão enquanto cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília.
O esquema investigado teria movimentado valores significativos, com a transportadora de cargas funcionando como um braço financeiro da facção. Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central e foragido, administrava patrimônio em nome da liderança do PCC. O Ministério Público e a Polícia Civil obtiveram informações cruciais a partir da análise de mensagens e dados de um celular apreendido, que indicavam repasses financeiros e conexões com a influenciadora.
As investigações apontam que os valores provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e seus familiares, utilizando contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial de Deolane Bezerra serviam como camadas de aparente legalidade para dissimular a origem ilícita dos recursos.
A Justiça de São Paulo justificou a decretação das prisões e bloqueios pela existência de provas robustas do crime, indícios fortes de autoria, movimentações financeiras suspeitas e vínculos diretos com a organização criminosa. A prisão foi considerada necessária para garantir a ordem pública, impedir a destruição de provas e a interferência na investigação, diante da sofisticação do grupo e do risco de fuga e ocultação de patrimônio. A influência da investigada no esquema e o volume de recursos movimentados impactam a dignidade e a segurança da sociedade ao permitir a perpetuação de atividades criminosas.
O cruzamento de provas e relatórios de movimentação bancária em nome da influenciadora Deolane Bezerra a identificou como recebedora de dinheiro do PCC. Entre 2018 e 2021, ela teria recebido R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing, com Everton de Souza como intermediador. Outros R$ 716 mil foram depositados em duas empresas de Deolane por uma empresa que se apresenta como banco de crédito, cujo responsável recebe um salário mínimo mensal. A investigação não identificou pagamentos relacionados a esses créditos ou prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra, referentes a valores cuja origem não foi comprovada e com indicativos de lavagem de dinheiro.
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