CRÍTICA AO SISTEMA
Defesa de Alcides Bernal tentou três vezes prisão domiciliar antes de sua morte em Campo Grande
Advogados alertavam para a falta de estrutura médica no Presídio Militar para atender o quadro cardíaco grave do ex-prefeito.
A defesa de Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, protocolou três pedidos de prisão domiciliar e dois de habeas corpus antes de ele falecer na madrugada desta segunda-feira, 13/07/2026. A morte ocorreu após o ex-gestor, que estava encarcerado no Presídio Militar, passar mal e ser submetido a internação hospitalar.
Alcides Bernal cumpria prisão preventiva devido a um processo pela morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, decorrente de um conflito sobre a posse de um imóvel. O advogado Ricardo Machado relatou que a equipe jurídica preparava um novo recurso quando a fatalidade aconteceu.
Os requerimentos, endereçados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), baseavam-se no agravamento da saúde de Alcides Bernal. Laudos médicos apontavam obstruções coronarianas severas, com índices de até 90%, além de um histórico de três infartos agudos do miocárdio.
A situação ganhou contornos de urgência diante de um ofício emitido pelo próprio Presídio Militar Estadual, que admitiu a inexistência de Unidade Coronariana (UCO), Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou cardiologista de plantão na unidade. A direção informou, ainda, não ter garantias de tempo de resposta do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em casos de emergência cardíaca.
Em sua petição, a defesa argumentou que a permanência de Alcides Bernal em um local sem assistência médica imediata transformava a custódia preventiva em uma antecipação de pena cruel. O ex-prefeito, que também enfrentava depressão grave, dependia de uma rotina complexa com mais de dez medicamentos controlados, cuja administração, segundo a defesa, ficava sob responsabilidade do próprio detento.
A trajetória de Alcides Bernal em Campo Grande foi marcada por intensas disputas políticas. Natural de Corumbá, ele foi vereador, deputado estadual e assumiu a prefeitura em 2012, chegando a ter o mandato cassado em 2014 pela Câmara Municipal, decisão que foi revertida pelo TJMS em 2015, permitindo que completasse o mandato até 2016.
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