DADOS DE SEGURANÇA

Violência no Brasil mantém padrão seletivo apesar da queda de homicídios

Manifestantes seguram faixas em protesto contra a violência de gênero.
Protesto contra feminicídio. Foto: Adriana Cópio - Secom/PMVR.

A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que, embora os assassinatos tenham caído, crimes contra negros, mulheres e crianças atingiram patamares críticos em 2025.

O Brasil registrou o menor índice de homicídios dos últimos 14 anos durante o ano de 2025, um marco positivo que, contudo, mascara uma realidade persistente de desigualdade estrutural. A análise detalhada da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indica que a redução global nos assassinatos não alcançou todos os setores da sociedade de maneira equânime, expondo vulnerabilidades acentuadas por raça, gênero, orientação sexual e idade.

Os números refletem um drama humano profundo: pessoas negras representam 80% das vítimas fatais no país. Enquanto o sistema de segurança celebra avanços estatísticos, o cotidiano de populações específicas permanece marcado pelo medo e pela privação do direito básico à vida. A dor das famílias brasileiras é evidenciada pelo recorde de feminicídios, que vitimou, em média, quatro mulheres diariamente ao longo de 2025.

A violência contra a população LGBT+ apresentou um salto superior a 35%, índice que especialistas apontam como possivelmente subestimado devido à precariedade das notificações oficiais. Paralelamente, a infância enfrenta novos riscos: seis a cada dez vítimas de estupro no Brasil possuíam menos de 14 anos. O ambiente escolar e digital também se tornou mais hostil, com um aumento de quase 70% nos casos de bullying e cyberbullying em um único ano.

Para decifrar esses indicadores, o podcast O Assunto convidou Lívia Sant'Anna Vaz, promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia e doutora em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Lisboa, que discute as intersecções entre raça e gênero na violência. Na sequência, Natuza Nery entrevista o professor de Direito da Unifesp, Renan Quinalha, sobre o cenário de violações de direitos enfrentado pela população LGBT+.

O episódio, apresentado por Natuza Nery e com produção de Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama, com colaboração de Vivian Souza, busca conectar os dados do Anuário à necessidade urgente de políticas públicas eficazes.

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