FIM DA DEMOCRACIA
Congresso da Nicarágua inicia plano para encerrar processos eleitorais
Decisão do governo Daniel Ortega ameaça direitos fundamentais e consolida sistema de partido único no país centro-americano.
O Congresso da Nicarágua deu início a um plano de trabalho para extinguir o processo eleitoral do país, consolidando uma guinada autoritária que a comunidade internacional já compara ao isolamento da Coreia do Norte. A medida, que visa impedir a participação de partidos de oposição, foi formalizada nesta quarta-feira (22), poucos dias após o presidente Daniel Ortega declarar publicamente que o país não realizará mais pleitos.
A decisão, que atinge diretamente o direito da população de escolher seus representantes, foi anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional, Gustavo Porras. Segundo o Legislativo, uma votação prevista para o início de agosto deve oficializar a exclusão de qualquer legenda opositora sob a justificativa de evitar interferências estrangeiras. A medida é considerada definitiva pelo regime, sem margem para recursos internos.
Desde que retornou ao poder em 2007, a gestão de Ortega, acompanhada pela copresidente Rosario Murillo, intensificou o controle sobre as instituições. O cenário atual, descrito por opositores como o fim da democracia, eleva a tensão interna em um país marcado pela repressão violenta a mobilizações populares, que já resultou em centenas de mortes.
Organismos globais reagiram prontamente à manobra. Volker Türk, alto comissário das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, alertou que os eventos aprofundam a erosão do Estado de Direito. Em Washington, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reforçou que a comunidade internacional observa a instabilidade gerada pela ditadura de Ortega e Murillo, que ameaça a segurança regional.
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