CRISE NA VENEZUELA

Um mês após terremotos, transição democrática continua em xeque na Venezuela

Edifícios destruídos e escombros após terremotos na Venezuela.
Cenário de destruição na Venezuela após os terremotos que vitimaram milhares de pessoas.

Um mês após os terremotos que assolaram o país, a fragilidade do Estado chavista e as tensões políticas retardam o caminho rumo à redemocratização.

Um mês após os terremotos que devastaram parte da Venezuela, os desdobramentos políticos da tragédia e a atuação do regime chavista — atualmente sob influência dos Estados Unidos — permanecem envoltos em incertezas. A catástrofe, que resultou na morte de aproximadamente 5.400 pessoas, impôs um desafio humanitário que colocou a eficácia do governo de Delcy Rodríguez sob o escrutínio rigoroso da sociedade civil.

Desde a ocorrência dos tremores, duas expectativas opostas dividiram os analistas: a de que o desastre aceleraria a transição democrática, dada a incapacidade estatal de prover assistência básica, ou a de que o processo seria postergado sob o pretexto de priorizar a reconstrução nacional. Após quatro semanas, o cenário ainda se mostra nebuloso.

A Assembleia Nacional, sob controle do chavismo, anunciou há cerca de dez dias que iniciará, em 1º de agosto, um diálogo com a Assembleia Nacional de 2015. Este grupo, composto por parlamentares eleitos democraticamente na época mas posteriormente alijados do poder, é liderado por Dinorah Figuera, que retornou da Espanha após articulações envolvendo os EUA. No entanto, figuras centrais como Jorge Rodríguez, presidente da atual Assembleia, manifestaram resistência a discussões políticas imediatas, classificando o debate sobre novas nomeações para órgãos como o Supremo e o Conselho Nacional Eleitoral como um desrespeito às vítimas.

A percepção de inércia governamental diante do colapso de infraestruturas sociais tem gerado revolta popular. David Smilde, especialista da Universidade de Tulane, aponta que o regime foi exposto como uma estrutura focada na perpetuação do poder, e não no bem-estar da população. A ausência de canais institucionais viáveis, somada ao trauma de repressões anteriores, desencoraja manifestações nas ruas, mantendo o impasse político.

O xadrez geopolítico envolve também a figura de María Corina Machado, cuja exclusão das negociações atuais gera atritos entre o governo americano e apoiadores da oposição. Enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, reforça o reconhecimento da Assembleia de 2015, críticos apontam a necessidade de incluir lideranças que emergiram nas eleições de 2024. Enquanto o futuro do país permanece em disputa, o ex-presidente Nicolás Maduro aguarda julgamento nos EUA, previsto para junho de 2027, enquanto o regime de Delcy tenta manter o controle sob um país que, na data em que se celebra o nascimento de Simón Bolívar, vê sua soberania novamente testada.

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