DEFINIÇÃO DA VACINA ANUAL

Decisão sobre vacina anual da gripe é definida pela vigilância global do influenza

Close-up de mãos preparando uma seringa com líquido para vacinação, simbolizando a definição anual da vacina contra a gripe.
Mãos segurando uma seringa para vacinação contra a gripe, um processo que depende de monitoramento global.

Cientistas monitoram globalmente o vírus influenza para determinar as cepas que comporão a vacina anual contra a gripe. A Organização Mundial da Saúde (OMS) coordena o esforço, que envolve centenas de laboratórios em mais de 130 países.

A composição da vacina anual contra a gripe é definida todos os anos, muito antes da campanha de vacinação, por meio de um sistema internacional de vigilância contínua do vírus influenza. Este esforço global, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), utiliza o monitoramento de centenas de laboratórios em mais de 130 países para identificar as cepas virais que devem ser incluídas nos imunizantes. A decisão impacta diretamente a proteção da saúde pública contra a gripe sazonal, que causa anualmente cerca de um bilhão de casos no mundo, com três a cinco milhões evoluindo para quadros graves.

O principal motivo para a atualização anual da vacina reside na natureza mutável do vírus influenza. Os tipos A e B são responsáveis pelas epidemias sazonais. O influenza A circula em subtipos como H1N1 e H3N2, frequentemente presentes na vacina. Já o influenza B possui duas linhagens, Victoria e Yamagata; com a circulação da Yamagata interrompida desde 2020, a OMS recomenda a inclusão apenas da linhagem Victoria nas vacinas trivalentes. Essas alterações virais são uma estratégia de sobrevivência, permitindo que o vírus escape da resposta imunológica do organismo.

A evolução viral ocorre em ritmos distintos: o subtipo A(H3N2) muta mais rapidamente que o A(H1N1), enquanto o influenza B apresenta um ritmo mais lento. O monitoramento ocorre desde as unidades de saúde, onde amostras de pacientes com sintomas respiratórios graves são coletadas em unidades sentinelas. Essas amostras seguem para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) em todos os estados brasileiros. Centros de referência credenciados pela OMS no Brasil, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Adolfo Lutz e o Instituto Evandro Chagas, realizam estudos detalhados, incluindo análises genéticas.

As informações coletadas no Brasil são compartilhadas com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, que compila dados das Américas antes de enviá-los à OMS. Testes, como os realizados pelo CDC, medem a capacidade das vacinas aplicadas em proteger contra os vírus em circulação. Com esse conjunto de informações, a OMS reúne especialistas globais para recomendar anualmente as cepas a serem incluídas nas vacinas dos hemisférios Norte e Sul, garantindo que os imunizantes acompanhem a evolução viral e mantenham a proteção populacional contra as variantes mais recentes.

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