DINHEIRO EM MOVIMENTO
Daniel Vorcaro mantinha 'caixa paralelo' de R$ 114,6 milhões, aponta Polícia Federal
Fundador do Banco Master é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro com obras de arte e uso de jatinhos para gratificar políticos.
Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mantinha um esquema de "caixa paralelo" com movimentação financeira de até R$ 114,6 milhões. As apurações indicam que os recursos eram destinados a despesas com aeronaves, imóveis e aquisição de obras de arte. Segundo planilhas de despesas analisadas pela PF, foram feitos repasses de R$ 1 milhão a Luiz Phillipi Machado Mourão, conhecido pelo apelido de "Sicário", em uma clara demonstração do impacto dessas transações na dignidade e transparência das relações financeiras.
As informações detalhadas foram encontradas em documentos contábeis enviados pelo próprio empresário a Fabiano Zettel, seu cunhado, e a Ana Cláudia Paiva. Ambos são descritos pelos investigadores como "operadores financeiros" de Vorcaro. Os relatórios de inteligência da PF, que expõem os efeitos reais dessas movimentações, foram obtidos pelo jornal O Globo e publicados nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026.
Repasses a "Sicário" e "longa manus"
As planilhas analisadas pela PF indicam que Vorcaro utilizava a expressão "faz 1 mm Sicário" para instruir pagamentos a Mourão. Em outra comunicação, o empresário enfatizou a importância de não "deixar falhar" o repasse. Em uma das conversas citadas nos relatórios, Zettel expressou incômodo com a insistência de "Sicário", ao que Vorcaro determinou que o cunhado continuasse remunerando aquele que chamou de seu "longa manus", demonstrando um controle direto e a intenção de manter o esquema em funcionamento.
Gastos com arte e aeronaves sob investigação
Os relatórios da investigação detalham pagamentos a duas galerias de arte localizadas em São Paulo, totalizando R$ 29,8 milhões. Além disso, as planilhas registram "despesas de aeronaves" no montante de R$ 11,8 milhões. A investigação busca apurar se Vorcaro utilizava a compra de obras de arte como fachada para lavar dinheiro e se as viagens em jatinhos eram utilizadas para retribuir favores a agentes políticos, afetando a integridade pública.
Parte dos repasses financeiros teria sido realizada pela Super Empreendimentos S.A., empresa que contava com Zettel e Ana Cláudia como diretores à época. As planilhas contábeis cobrem despesas realizadas entre março, abril, junho, julho e agosto de 2025.
Atualmente, tanto Vorcaro quanto Zettel encontram-se presos preventivamente, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Luiz Phillipi Machado Mourão faleceu na prisão após complicações de uma tentativa de suicídio. Ana Cláudia Paiva foi alvo de mandado de busca e apreensão, indicando o alcance das consequências legais para os envolvidos.
O Poder360 buscou contato com a defesa de Daniel Vorcaro para manifestação sobre o conteúdo dos relatórios, mas não obteve resposta até o momento da publicação. O texto será atualizado caso haja retorno. Tentativas de contato com os demais citados também foram infrutíferas, sem localização de telefone ou e-mail válido. O jornal digital segue empenhado em obter posicionamentos e atualizará a reportagem mediante recebimento de manifestações.
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