PESO NO BOLSO
Custo do condomínio supera inflação e pesa no orçamento das famílias
Taxas condominiais sobem 25% entre 2022 e 2025, impulsionadas por áreas de lazer e manutenção, elevando o risco de inadimplência e perda de imóveis.
A elevação dos custos condominiais tornou-se um desafio financeiro para milhões de brasileiros, com cobranças que chegam a representar 40% do valor de um aluguel mensal. O cenário foi consolidado por dados do Censo Condominial 2025/2026, revelando que a inflação do setor atingiu 25% entre 2022 e 2025, superando a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Especialistas apontam que a transformação no perfil dos novos empreendimentos, que privilegiam amplas áreas de lazer e serviços de segurança, eleva a complexidade e o custo de manutenção. Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, destaca que fatores como a escassez de mão de obra e a necessidade de equipamentos modernos, como recargas para carros elétricos, pressionam as finanças dos prédios. O impacto direto dessa alta é o aumento da inadimplência, que saltou de 9,72% para 11,95% no período analisado. A situação é alarmante, pois a dívida condominial é vinculada ao imóvel e não apenas ao CPF, podendo resultar em leilão da unidade. Leonardo Mack, diretor de operações da uCondo, observa que famílias de classe A têm migrado para prédios de classe B na tentativa de adequar o orçamento à realidade financeira. Em busca de eficiência, muitos condomínios têm adotado a portaria virtual para reduzir despesas com pessoal. A medida, contudo, é alvo de debates. Em 2025, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) estabeleceu uma cláusula que prevê compensação financeira para profissionais demitidos devido à automação, enquanto projetos de lei, como na Assembleia Legislativa de São Paulo, buscam restringir o uso da tecnologia em prédios maiores por questões de segurança e manutenção de empregos. Para as famílias, a decisão de moradia tornou-se um exercício de equilíbrio. Muitos brasileiros, como Hector Corrêa, têm priorizado a economia nas taxas condominiais em detrimento da localização ou lazer, buscando preservar a saúde financeira e evitar o endividamento crônico.
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