AGROTECNOLOGIA IMPULSIONA LUCROS

Cowmed projeta salto de 65% no faturamento com coleiras inteligentes para vacas leiteiras

Vacas leiteiras com coleiras inteligentes sendo monitoradas.
Tecnologia monitora desempenho na pecuária leiteira com coleiras inteligentes.

Empresa brasileira de tecnologia expande atuação internacionalmente e prevê receita de R$ 30 milhões a mais em 2026, focando em produtores de diversos portes.

A Cowmed, empresa de tecnologia especializada em monitorar a nutrição de vacas leiteiras, prevê um crescimento de 65% em seu faturamento em 2026. A projeção é impulsionada pela crescente demanda por tecnologias de monitoramento animal e soluções de inteligência artificial aplicadas à pecuária leiteira, refletindo a consolidação de um modelo de negócio baseado em assinatura mensal por animal monitorado.

A companhia deve encerrar 2026 com uma receita aproximadamente R$ 30 milhões superior aos cerca de R$ 18 milhões registrados no ano anterior. Segundo a empresa, este expressivo aumento reflete a lacuna de adoção tecnológica que ainda existe no setor, oferecendo oportunidades para produtores otimizarem seus resultados.

Do total da expansão esperada, cerca de 90% se concentrará no mercado brasileiro, com os 10% restantes provenientes de operações internacionais já iniciadas em países como Paraguai, México e Uruguai. O crescimento ocorre em um momento crucial de incorporação de ferramentas de análise de dados, automação e sensores de comportamento animal no setor leiteiro, tecnologias que antes eram restritas a grandes propriedades e agora se tornam mais acessíveis a produtores de diferentes portes.

A principal inovação da Cowmed é uma coleira equipada com sensores que monitoram em tempo real o comportamento das vacas. O dispositivo acompanha variáveis essenciais como alimentação, ruminação, nível de atividade, repouso, ofegância e sinais de estresse térmico. Além disso, o sistema identifica comportamentos de monta, um dos principais indicadores de cio, contribuindo para a melhoria da eficiência reprodutiva dos rebanhos.

As informações coletadas são enviadas para a nuvem e processadas por um sistema de inteligência artificial denominado Vic, desenvolvido pela própria empresa. "A plataforma interpreta os dados e emite recomendações operacionais aos produtores, incluindo alertas de saúde, identificação de doenças, gestão de reprodução e otimização de manejo nutricional", explica Thiago Martins, CEO da Cowmed.

Atualmente, a Cowmed monitora 100 mil animais e busca expandir esse número para 1 milhão de vacas nos próximos cinco anos. A estratégia foca no Brasil, considerado o principal polo de crescimento devido ao tamanho do rebanho e ao processo contínuo de modernização das fazendas. A crescente exigência por rastreabilidade e eficiência produtiva na cadeia do leite, com cooperativas e indústrias demandando maior controle de qualidade e aumento da produtividade, também impulsionam a adoção dessas soluções, vistas agora como ferramentas operacionais estratégicas.

O modelo de negócios, baseado em assinatura mensal com custo por animal entre R$ 22 e R$ 23, permite que propriedades de pequeno e médio porte adotem o sistema sem grandes investimentos iniciais. A empresa estima que este custo represente apenas entre 1% e 1,5% da receita mensal de um produtor, enquanto os ganhos potenciais podem chegar a até 4% de aumento no faturamento, considerando melhorias em produtividade, redução de mortalidade e eficiência reprodutiva.

No cenário internacional, a Cowmed planeja instalar 5 mil coleiras inteligentes em rebanhos leiteiros no Paraguai até o final de 2026. A meta é fruto de uma parceria com a Rural Makro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do país. Este movimento posiciona a empresa em um mercado com mais de 12 milhões de cabeças de gado, segundo a Associação Rural do Paraguai (ARP), reforçando a estratégia de crescimento baseada em inteligência artificial aplicada ao agronegócio e explorando o potencial de crescimento local pela baixa penetração de ferramentas de monitoramento contínuo.

“O desafio não é só levar tecnologia, mas garantir que ela se pague no campo. Em mercados como o paraguaio, a adoção vem quando o produtor enxerga retorno claro, e isso exige consistência de dados e usabilidade”, afirma Martins, destacando a expectativa de que o avanço da tecnologia ajude produtores a antecipar diagnósticos, reduzir perdas e otimizar ciclos reprodutivos.

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