COBRANÇA JUDICIAL MILITAR
Coronel foragido nos EUA pelo 8/1 é cobrado por dívida com Exército
Fundação Habitacional do Exército busca na Justiça o pagamento de R$ 39 mil de oficial condenado pelo STF; defesa alega que atraso ocorreu após bloqueio de salário.
O coronel Reginaldo Abreu de Azevedo, conhecido como Velame, enfrenta uma nova frente de batalha jurídica enquanto permanece foragido nos Estados Unidos. A Fundação Habitacional do Exército (FHE) acionou a Justiça para cobrar uma dívida de R$ 39,9 mil decorrente de um empréstimo bancário realizado pelo militar.
O débito tem origem em um contrato de R$ 60 mil firmado em maio de 2023. Do valor total, Reginaldo recebeu R$ 31 mil, uma vez que o restante foi utilizado para abater uma dívida anterior de R$ 28,5 mil que ele mantinha com a fundação. O militar manteve os pagamentos das parcelas de R$ 1,5 mil em dia até julho do ano passado, quando interrompeu os repasses.
A situação do coronel é complexa, visto que ele foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 15 anos de prisão. Ele é considerado foragido desde 10 de abril, data em que a Polícia Federal (PF) e o Exército tentaram cumprir o mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, sem sucesso.
As tentativas de notificação judicial revelaram o isolamento do oficial. Oficiais de Justiça buscaram Reginaldo em diversos endereços, incluindo um imóvel em Águas Claras, no Distrito Federal, onde foram informados que o militar havia vendido a propriedade ainda em 2020.
Em nota assinada pelos advogados Helder Lucio Rego e Diego Ricardo Marques, a defesa sustenta que o inadimplemento decorre de um fato alheio à vontade do coronel: a suspensão de seus vencimentos determinada por Moraes. Os advogados afirmam que analisam os valores e encargos cobrados para avaliar as medidas cabíveis contra a cobrança.
Reginaldo integrou o núcleo 4 da trama golpista, grupo apontado pela Procuradoria-Geral da República como responsável por disseminar informações falsas sobre o sistema eleitoral e promover ataques virtuais contra autoridades. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, o grupo atuava em sintonia para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, utilizando, inclusive, estruturas da Agência Brasileira de Inteligência.
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