ENCARGOS PESADOS
Copom corta Selic, mas Brasil mantém 2º maior juro real global
Decisão de 29 de abril de 2026 levou juros a 14,5% anuais, mas taxa real de 9,33% afeta investimentos e famílias, segundo Lev Intelligence e MoneYou.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua decisão divulgada nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, cortou 0,25 ponto da taxa básica de juros, levando-a para 14,5% ao ano. Apesar desse movimento, o Brasil se mantém como o país com o segundo maior juro real do mundo, atingindo 9,33% ao ano, segundo um levantamento da Lev Intelligence e da MoneYou. Essa persistência em taxas elevadas, mesmo com cortes, impacta diretamente a capacidade de investimento das empresas e o poder de compra das famílias, tornando o crédito mais caro e freando o crescimento econômico.
O relatório detalha que o Brasil só fica atrás da Rússia, que registra 9,67% de juro real. Outras nações com taxas significativas incluem México (5,09%) e África do Sul (4,62%). O estudo baseia-se nos juros descontados da inflação projetada para os próximos 12 meses, utilizando taxas de mercado equivalentes a um ano, o que oferece uma visão clara do custo real do dinheiro.
Este cenário de juros reais elevados dificulta a vida de muitos brasileiros, que enfrentam maior custo em financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e investimentos produtivos. Empresas que buscam expandir ou modernizar suas operações encontram um ambiente menos favorável, o que pode impactar a geração de empregos e o desenvolvimento econômico do país.
Entre os dez países com os maiores juros reais, o ranking da Lev Intelligence e da MoneYou destaca nações emergentes e europeias, como Indonésia, Hungria e Colômbia. Em contraste, economias desenvolvidas como Suíça (-0,21%), Argentina (-1,15%) e Japão (-1,56%) apresentam taxas próximas de zero ou até negativas, indicando uma política monetária que busca estimular o consumo e o investimento.
Em uma análise mais ampla, a média dos juros reais entre os 40 países avaliados no estudo foi de 1,58% ao ano. O levantamento também revelou que a maioria das economias monitoradas (84,15% dos 164 países) optou por manter suas taxas inalteradas recentemente. Apenas 4,88% dos países elevaram os juros, enquanto 10,98% implementaram cortes.
Quando se trata de juros nominais, sem o desconto da inflação, o Brasil figura entre a terceira e a quarta posição global, com os mesmos 14,5% ao ano. Nesse critério, o país se aproxima da Rússia e é superado por nações como Turquia e Argentina, que lideram com as taxas nominais mais altas.
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