SEGURANÇA NO PAGAMENTO

Banco Central avalia trava de 72 horas para transferências suspeitas no Pix

Homem utilizando um smartphone para realizar uma transação financeira via Pix.
O Banco Central busca equilibrar a segurança do sistema com a rapidez das transações digitais.

Proposta em análise pelo Banco Central visa combater fraudes e roubos durante a madrugada, com foco em operações de alto risco e valores elevados.

O Banco Central (BC) estuda a implementação de novas camadas de segurança no Pix que podem autorizar instituições financeiras e fintechs a reter transferências suspeitas por até 72 horas. A medida, discutida em âmbito interno, busca mitigar riscos de golpes, fraudes e transações realizadas sob coação, sendo voltada principalmente para movimentações de alto valor identificadas durante o período noturno.

As diretrizes estão sendo formuladas no grupo de segurança do Fórum Pix, que reúne reguladores, representantes de bancos e membros da sociedade civil. A intenção é definir critérios objetivos — como valores incompatíveis com o perfil do usuário ou sequências anômalas de operações — que obriguem as instituições a submeter a transação a uma análise minuciosa antes da efetiva conclusão.

Atualmente, o sistema já conta com mecanismos de proteção, como o bloqueio cautelar e a verificação adicional de até 60 minutos em casos específicos. A nova proposta pretende padronizar e tornar obrigatória a retenção prolongada para casos que apresentem sinais claros de risco, evitando que o monitoramento seja feito de forma heterogênea pelo mercado.

O debate ganha força após episódios de ataques cibernéticos, como o ocorrido na C&M Software, que resultou em desvios vultosos. Contudo, o Banco Central conduz a análise com cautela, reconhecendo a preocupação de fintechs de que travas excessivas possam prejudicar a experiência de usuários com necessidades legítimas de movimentação noturna. Para evitar gargalos, estuda-se a criação de perfis habilitados para transações de valores elevados.

A discussão ocorre em um momento de otimismo quanto à eficácia das ferramentas vigentes. Dados do Banco Central indicam que a taxa de fraudes caiu de 11 para 4,2 casos a cada 100 mil transações entre julho de 2024 e abril de 2026. Além disso, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) apresentou, em abril de 2026, seu maior índice de recuperação de recursos desde o início das medições, atingindo 16,2% dos valores contestados.

Ainda não há cronograma definido para a entrada em vigor das mudanças. O Banco Central mantém as propostas em estágio de discussão, buscando equilibrar a blindagem contra criminosos com a preservação da agilidade que define o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

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