REGULAÇÃO DO CRÉDITO

Gabriel Galípolo sinaliza rigor do BC para conter riscos no crédito

Gabriel Galípolo discursando em evento financeiro.
Presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante evento da FEBRABAN Tech 2026.

Presidente do BC alerta que alta no endividamento das famílias exige mais provisões das instituições e freio a riscos excessivos no mercado financeiro.

O Banco Central prepara novas medidas macroprudenciais para reforçar a estabilidade do sistema financeiro, visando ajustar o equilíbrio entre o risco assumido pelas instituições e suas respectivas garantias de capital. A decisão, comunicada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, nesta segunda-feira (24/08/2026), reflete a urgência em conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras, que atinge patamares preocupantes mesmo diante de indicadores positivos de renda e emprego.

Ao discursar na abertura da FEBRABAN Tech 2026, em São Paulo, Gabriel Galípolo destacou o paradoxo atual: enquanto o mercado de trabalho apresenta solidez, o comprometimento da renda com o crédito pessoal e o cartão de crédito cresce de forma acelerada. A diretriz central da autoridade monetária é clara: cada instituição deve estar adequadamente provisionada para o risco real que assume, impedindo que estratégias agressivas de expansão de mercado resultem em prejuízos transferidos para terceiros ou para o próprio sistema.

Cenário de alerta no crédito

O diagnóstico apresentado pela autoridade monetária aponta que, embora o Pix tenha democratizado o acesso a serviços financeiros — alcançando 162 milhões de pessoas físicas —, o uso desenfreado de modalidades como o crédito rotativo e o consignado privado acendeu um sinal vermelho. O comprometimento médio da renda dos brasileiros com o cartão de crédito saltou de 38,5% para 54%, com taxas de juros que atingem uma média mensal de 15,1%.

Modalidades como o crédito pessoal não consignado, que alcançou saldo de R$ 400 bilhões em maio de 2026, e o financiamento de veículos, com aumento expressivo da inadimplência, estão sob monitoramento constante. Segundo Gabriel Galípolo, o Banco Central busca uma transição gradual, pautada por normas que garantam que a concorrência não sacrifique a segurança financeira da população.

A intenção do BC é redefinir a relação entre prêmio e risco. Com o suporte de análises internacionais, a autarquia avalia elevar a exigência de capital para instituições que optam por operações sem garantia, onde os juros podem superar 140% ao ano, reforçando a proteção dos cidadãos contra o superendividamento.

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