POLÍTICA MONETÁRIA E CRÉDITO

Gabriel Galípolo alerta para riscos da alta no endividamento das famílias

Foto de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, discursando em evento.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento promovido pela Febraban.

Presidente do BC, Gabriel Galípolo, aponta contradição entre expansão do crédito e reclamações sobre dívidas, destacando impacto do Pix na bancarização.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a necessidade de uma análise coerente sobre o impacto do crescimento do crédito na economia brasileira. A declaração foi feita durante um evento promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) nesta segunda-feira (24/08/2026), ocasião em que o dirigente confrontou a percepção de mercado sobre a expansão dos empréstimos.

Para Gabriel Galípolo, existe uma relação direta e previsível entre a facilidade de crédito e o aumento das dívidas das famílias. O gestor enfatizou que a teoria econômica já estabelece que o crescimento do endividamento ocorre, via de regra, em cenários de taxas de juros mais baixas, dado que custos elevados atuam como inibidores naturais de novas contratações.

A influência da inovação tecnológica

Ao abordar os avanços do sistema financeiro nacional, o presidente do BC celebrou o papel do Pix na inclusão financeira. Dados da autarquia revelam que 74% dos adultos cadastrados no Cadastro Único já utilizam a ferramenta. Contudo, essa digitalização trouxe desafios colaterais, como o acesso massivo ao cartão de crédito.

O cenário atual indica que, de um universo de 96 milhões de usuários de cartão, cerca de 52,8 milhões acumulam dívidas, seja no rotativo ou em parcelamentos. O impacto na dignidade financeira é tangível: o comprometimento da renda das famílias já atinge 54%.

Gabriel Galípolo reforçou que, desde a implementação do Pix, 37 milhões de brasileiros passaram a utilizar o cartão de crédito. Diante do alto endividamento, o presidente do BC cobrou maior responsabilidade e eficiência das instituições financeiras, classificando a redução do custo desse sistema como uma medida necessária para a estabilidade econômica das famílias.

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